1-Mal na foto
Não foi apenas quem assistiu a sessão de quarta-feira (13); os despejados do Terra Prometida e os terceirizados que não gostaram da estreia do novo líder do governo. A repercussão negativa chegou ao reduto eleitoral dele. Atingiu o núcleo de seu grupo político que se não gostou dele ter assumido a liderança do governo, gostou menos ainda do pronunciamento. Fonte do grupo político de Manoel Moraes (PP), disse que o parlamentar pediu para passar vergonha e exagerou na dose. Confessou que se Moraes tivesse conversado com seu grupo não teria assumido a liderança. A função é considerada um triturador de mandatos. Poucos saem ilesos e pelo jeito Manoel Moraes não será uma das exceções. Caiu na besteira de confrontar Edvaldo Magalhães (PCdoB), o mais tarimbado dos parlamentares da Aleac. Logo Moraes que por anos a fio permaneceu na sombra do PT e submetido à liderança de Edvaldo. Parece que o único sorriso avistado em Xapuri nos últimos dias é o do ex-deputado Antônio Pedro.
2- Auxílio
O MST já doou até agora 15 mil marmitas para as pessoas atingidas pelo ciclone e afetadas por enchentes no Rio Grande do Sul. Dezenas de pessoas do Movimento, acampados e assentados, integrantes do Levante Popular da Juventude do MST se deslocaram para ajudar na produção do alimento. O agronegócio não fez nenhuma doação apesar de 65 milhões de hectares estarem nas mãos do agro para a produção de comoditties (produtos comercializados em estado natural), contra os 35 milhões de hectares ocupados pela agricultura familiar. Vale destacar que o agronegócio que é majoritariamente voltado para a produção de grãos para a exportação é controlado por 6 famílias e ocupa 46% das terras produtivas. A agricultura familiar é a que produz alimentos. O agro recebeu créditos de 280 bilhões de reais de 2016 a 2022 mas foi o MST que encampou uma campanha de solidariedade durante a pandemia de Covid-19, quando doou cerca de 10 mil caminhões de alimentos (10 a 15 toneladas por caminhão) nas periferias das grandes cidades por todo o país. Olhos atentos observam. A tragédia do ciclone e das enchentes atingiu 93 municípios gaúchos e deixou 820.498 pessoas desalojadas, 4.794 desabrigadas,924 feridas, 46 mortos e 46 pessoas desaparecidas.
3- É osso
O acampamento de despejados na frente da Assembleia Legislativa continua crescendo. Outras famílias começaram a se juntar aos que estão há quase 20 dias no local. A presença dos que foram despejados do Terra Prometida por ordem do governo do Estado é uma ferida exposta aos olhos da população que acompanha a situação diariamente. O osso encontrado na marmita da penal não foi conseguiu desviar a atenção do problema dos sem teto. No acampamento onde vez por outra as crianças recebem um agrado de populares, como pipoca e outros, os adultos acampados são ajudados pela população que contribui com cartelas de ovos de vez em quando. Por lá tem gente que desejaria encontrar uma marmita com osso.
4-Campanha
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, publicou, nesta quarta-feira, em suas redes sociais fotos de pacotes de maconha adesivados com a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Paralelo a isso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), anunciou que líderes partidários vão apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a criminalização do porte e da posse de drogas em qualquer quantidade. O texto está pronto para ser apresentado nesta sexta-feira (15). Segundo Pacheco, a proposta tem o apoio de um terço dos parlamentares. A descriminalização do porte de maconha para uso próprio está em discussão no STF. Alguém vai sair perdendo nesse confronto entre o Senado e o STF. Espera-se que não seja a população, como sempre.
5-All business
A campanha contra a descriminalização da maconha é bancada pela indústria farmacêutica que teme perder parte de seus lucros estratosféricos com tratamentos mais baratos e mais eficazes a base de maconha considerada mais barata e mais segura para tratamento de doenças para os quais a indústria farmacêutica produz remédios. Nos Estados Unidos um dos principais financiadores contra a legalização da maconha foi a Insys Therapeutics produtora do fentanil, um derivado do ópio. Em 2014 quando a discussão começou por lá, esse laboratório doou 5,2 milhões dólares para a campanha contra a legalização da maconha. Naquele ano, mais de 28 mil norte-americanos morreram por overdose de drogas baseadas no ópio. O cantor Prince foi uma das vítimas do fentanil em 2016 e entrou para a estatística da epidemia mortal das drogas sintéticas.
6-Apenas negócios
A Beer Distributors PAC, que representa 16 distribuidoras de cerveja em Massachusetts, doou 82 mil dólares para a campanha contra a maconha. Foi a terceira maior doadora. Arizona Wine and Spirits Wholesale Association (Associação de Vinho e Bebidas Alcoólicas no Atacado) doou 10 mil dólares para um grupo contra a legalização. Em todos o temor de perder mercado para o uso recreativo da maconha que também atingiu os fabricantes de vodka e do uísque Jack Daniel’s. Lá, como cá, más fadas há. Olhos atentos, observai. Se o interesse dos políticos fosse a saúde da população não cortariam nem desviariam verbas do SUS . Se o interesse fosse a segurança pública investiriam em educação, habitação, geração de emprego etc…
7-Dedo na ferida
Enquanto se criminaliza a maconha e prende-se os bagrinhos do tráfico, o Doutor em Ciência Política Atílio Borón afirma que o principal narcotraficante da história não foi Pablo Escobar. Foi a rainha Vitória da Inglaterra que reinou de 1837 a 1901. Apesar da história oficial apresentar seu reinado através da “moral vitoriana” centrado na rígida restrição sexual, pouca tolerância para o crime e um código social de conduta pública rigoroso, sua gestão exerceu papel fundamental na expansão da dependência química no mundo, com a introdução do ópio para controlar as população de suas colônias ao redor do mundo. Pelo direito de vender ópio na China, a Inglaterra abriu duas guerras. O ópio vinha das plantações de papoula da Índia, também dominada pelo Reino Unido. Os ingleses destruíram os teares dos indianos para obrigá-los a comprar tecidos fabricados na Inglaterra. Para obter o dinheiro, os indianos precisavam plantar papoula da qual o ópio é extraído. Ou seja, a fortuna do império britânico, do século XVIII até as primeiras décadas do século XX foram baseadas no tráfico de ópio, depois heroína. De acordo com o livro DOPE Inc. foi tanto dinheiro que deu para criar um dos maiores bancos do mundo, que ainda atua fortemente. Inclusive no Brasil. O Afeganistão dobrou a produção de ópio sob a ocupação norte-americana. A gestapo, polícia secreta nazista operou o tráfico junto com a Máfia da Córsega durante a ocupação da França. Pois.
8- Risco
A chamada guerra às drogas é a maior responsável pelo encarceramento no Brasil. Recentemente a Ministra do STF, Rosa Weber destacou que o Brasil é o terceiro país do mundo em número de presos. 644 mil pessoas estão presas no Brasil. O número de presos no país equivale a população de Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá, Epitaciolândia, Brasileia e Senador Guiomard, juntas. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), 61,7% da população prisional são pessoas pretas e pardas. 397.348 afrodescendentes estão encarcerados no Brasil. Ora, a privatização dos presídios está nos planos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Em presídios privatizados a mão de obra encarcerada, via de regra, é utilizada por grandes empresas. Quanto mais presos, mais lucro. Olhos atentos, observai antes para não chorar depois.
Bom dia, leitor. Sextou com a música This is America de Childish Gambino, considerada o hino antirracista do século: “Você é só um negro neste mundo. Você é só um código de barras, dirigindo para ricos…eu o acorrentei no quintal. Não, provavelmente não é vida para um cão.
Esta é uma coluna de opinião e reflexão
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Imagem- Nupri-USP
