Coluna da Angélica- Campanha eleitoral e arte de transformar inimigos em companheiros e amigos em adversários

Coluna da Angélica- Campanha eleitoral e arte de transformar inimigos em companheiros e amigos em adversários

1-Jogo

Se a política evidencia o que há de melhor e o pior das pessoas, a campanha eleitoral parece destacar muito mais o pior. Apesar dos esforços dos candidatos que algumas vezes não conseguem controlar os ímpetos dos apoiadores. O povo fala. Mas a justiça eleitoral não ouve.  Dez baterias de tratores que iriam trabalhar no asfaltamento do bairro Tancredo Neves teriam sido roubadas para impedir o trabalho da prefeitura de Rio Branco. Pessoas que moram nas proximidades do Igarapé São Francisco teriam sido orientadas a jogar lixo dentro do Igarapé com a intenção de afundar o prefeito Tião Bocalom (PL). Consultas médicas estariam sendo feitas  em casas de apoiadores, em troca de votos. E antes que perguntem, não. Não é ninguém da campanha de Jenilson Leite (PSB). E tem gente comprando fiado alguns feudos dentro da próxima gestão. Negócios na Bolsa de Futuros. Pausa para o espanto. Mas, that’s all business. E para completar, tem Dom Juan na campanha. E político que não aprendeu que lugar de puxa-saco não é em posição de destaque. Puxa-saco é tempero vencido. Compromete o paladar. Ponto.

2-…sujo

Em Cruzeiro do Sul os adversários da candidata Jéssica Sales (MDB), desencadearam uma campanha suja. Baixaria pura. Com ataques pessoais. Contra a honra da candidata. O prefeito Zequinha Lima (PP), candidato a reeleição, conta com o peso dos apoios estadual e municipal. Não precisava disso. Nem se esperava isso na campanha dele que sempre foi considerado uma pessoa mais centrada. Apesar da mudança radical de pular do PCdoB diretamente no colo do PP. E de beijar a mão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).  E nem Jéssica precisava passar por isso. É uma profissional com carreira consolidada e com serviços prestados como política. Zequinha deveria colocar seus cachorros na coleira antes que façam um estrago na campanha dele.

3-Campanha

Muito além dos candidatos tem gente em contagem regressiva para o fim da campanha eleitoral. Época em que os candidatos se vendem como os salvadores do mundo. Se o eleitor fosse esperto veria que as condições em que vive são o resultado de suas escolhas anteriores. Se respira fumaça, as ruas são intrafegáveis, come veneno (agrotóxicos), não tem emprego, moradia, Saúde, Segurança, Educação decente para os filhos, água e etc, a culpa é do eleitor. Ou o eleitor aprende a lição ou que vá se queixar para o  padre.

4-Traições e reações

A deputada federal Socorro Néri (PP, ainda), caiu de corpo e alma na campanha de Elzinha Mendonça (PP). Leitor atento informa que o  material de campanha de Elzinha não tem Boca. Mas o partido dela tem o vice de Bocalom. Nas reuniões da Elzinha, Socorro Néri estaria pedindo votos para Marcus Alexandre (MDB). Pelo menos foi isso que teria chegado aos olhos e ouvidos do governador Gladson Cameli (PP). Em vídeo.  Fonte de dentro do Palácio jura de pé junto que na mesa do governador já está uma lista com cerca de 200 pessoas que ocupam cargos no governo por indicação de Socorro. Mais da metade na Educação.  Um aperto também estaria sendo preparado para o Secretário de Educação, Aberson Carvalho. Do tipo: ou se desvincula da Socorro ou tá fora do governo.

5- Traições e reações II

Do MDB, a informação é que já está tudo certo para receber a deputada Socorro Néri no partido, sigla pela qual ela faria uma dobradinha com Jorge Viana (PT) na disputa pelo Senado em 2026. Eu nem estranharia. Em 2016, Socorro Néri era candidata a prefeita pelo PSDB e deixou o partido a ver navios para ser candidata a vice de Marcus Alexandre, pelo PSB. Ao assumir a prefeitura, em 2018, quando Marcus renunciou para concorrer ao governo criou atrito com o grupo de Marcus Alexandre ao demitir o pessoal dele. Em 2020 o governador Gladson Cameli se licenciou do PP que tinha Tião Bocalom como candidato, para apoiar Socorro. Com a derrota, fez da protegida, sua secretária de Educação. E colocou a estrutura da Saúde e da Educação na campanha dela, fazendo-a deputada federal. Em 2026 corre o risco de tê-la como adversária na disputa pelo Senado.  Olhos atentos observam que quem não atenta aos sinais cria cuervos.

5-Reprise

Para quem ficou surpreso com as conversações entre Lula (PT), Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD) para que esses dois parlamentares ocupem ministérios, a explicação está visível aos olhos atentos. O presidente da República que disse que não ia se meter na eleição das casas legislativas, está se metendo. Como sempre fez e como fazem todos em todos os cantos e tempos. Assim é. Gostem ou não. Político diz uma coisa e faz o oposto. Mas olhos atentos não se deixam enganar. Em nenhum canto ou tempo. E ainda ousam registrar. Para o riso ou para a lamentação.

6-Lira

Lira chega ao fim de seu mandato como presidente da Câmara dos Deputados, enfraquecido. Lascado. Com o orçamento secreto ele teve a ilusão de superpoderes. Mas o orçamento secreto e as emendas pix acabaram. Ele não conseguiu viabilizar o candidato a sua sucessão. Para completar, o ministro Flávio Dino, encaminhou à PGR  uma lista de 21 processos sobre possíveis irregularidades nas emendas de relator (RP9). Junto com elas foi a investigação sobre a compra superfaturada de Kits de Robótica, num esquema de desvio de dinheiro do FNDE. Aquele processo que teve as provas destruídas por ordem de Gilmar Mendes. E que envolve Arthur Lira e 8 milhões de reais desviados do Fundo Nacional da Educação.  Durante a investigação a Polícia Federal apreendeu 4 milhões com um aliado de Lira. Com a decisão de Gilmar o dinheiro precisa ser devolvido ao dono mas este nunca apareceu e o dinheiro foi para uma conta judicial. Ou seja, tem 4 milhões dando sopa há mais de um ano e ninguém vai buscar porque não tem como comprovar a origem. Resumo da ópera: Lira que corre o risco de não se reeleger ainda pode ir para a prisão. Neste contexto desfavorável, aceitar um ministério é a saída para salvar a pele.

7- Azeitando

O presidente Lula não está jogando a boia para salvar Arthur Lira. Está jogando o jogo. A boia que salva Lira afunda Ciro Nogueira, um dos mais ferrenhos críticos do governo. O presidente Lula se compromete a apoiar o candidato do Lira, Elmar Nascimento (União) que pediu votos a favor da revogação da liberação de Chiquinho Brazão (União), apontado como um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, para a presidência da Câmara dos Deputados. De quebra, entrega também a presidência do Senado para o União Brasil (Davi Alcolumbre), em troca do partido brecar a candidatura de Ronaldo Caiado (União), à presidência da República em 2026. Enquanto Pacheco e Lira comem na mão do Lula, o presidente limpa a área. Para o bem e para o mal. E que ninguém se surpreenda se Renan Filho for o vice de Lula em 2026. Afinal, em política todo o caminho leva à alianças.

8-7 de setembro

Bolsonaristas farão uma manifestação na Avenida Paulista contra Alexandre de Moraes. Lula convidou o ministro para a solenidade da independência em Brasília onde os gritos de Silas Malafaia e Gustavo Gayer não serão ouvidos. Em tempo, na Paulista estarão os investigados pelo STF levantando a bandeira da “liberdade de expressão” ajoelhados para o domínio estrangeiro. Patriotas sem pátria. Devidamente posicionados contra a ditadura do STF e adeptos da ditadura do Mercado. Incoerências, a gente vê na pátria desamada.

Bom dia, deputado Luiz Gonzaga (PSDB). Ministro das Relações de Comércio Exterior do Acre. Vossa Excelência já aprendeu a falar mandarim? 

Coluna de opinião e reflexão

Contato- [email protected]

Imagem- Blog do Tião Lucena

Veja também

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

O governo do Irã contratou psicólogos e psiquiatras experientes para avaliar a condição mental do …