Em entrevista, deputado foragido afirma que “trabalha para que os senadores não encontrem diálogo nos EUA” sobre o tarifaço de Trump. A afirmação que está pessoalmente empenhado em boicotar a missão de senadores brasileiros nos EUA, que tenta negociar a suspensão do tarifaço de 50% imposto por Trump a produtos brasileiros foi feita nesta segunda-feira, 28 de julho de 2025.
“Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”, declarou Eduardo em entrevista à SBT News, alegando ainda que acordos técnicos são insuficientes sem a inclusão da pauta política do seu pai.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reclama de ditadura no Brasil seria condenado a pena de morte no país que considera o paraíso da liberdade de expressão
O deputado assume publicamente que negocia com o governo dos Estados Unidos sanções ao Brasil. O que é crime tanto no Brasil como nos EUA.
A legislação brasileira considera crime “negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo”. A lei estadunidense por sua vez, estabelece que “quem, devendo lealdade aos Estados Unidos, declarar-lhes guerra, ou aderir a seus inimigos, dando-lhes ajuda e conforto” comete traição. O Título 18, parágrafo 2381 do código penal federal dos Estados Unidos prevê punição com a morte ou, no mínimo, cinco anos de reclusão para quem “declarar guerra aos Estados Unidos ou aderir a seus inimigos, prestando-lhes ajuda e conforto”.
A conduta do ainda deputado também se choca com a chamada Lei Logan, outro dispositivo dos EUA que proíbe qualquer cidadão dos Estados Unidos de estabelecer contato não autorizado com governos estrangeiros para influenciar políticas externas. A pena pode chegar a três anos de prisão e multa.
O texto da Lei Logan afirma: “qualquer cidadão dos Estados Unidos, onde quer que esteja, que, sem autorização, direta ou indiretamente, iniciar ou manter qualquer correspondência ou relacionamento com qualquer governo estrangeiro ou qualquer funcionário ou agente dele, com a intenção de influenciar medidas ou condutas desse governo em relação a disputas ou controvérsias com os Estados Unidos, ou para frustrar as medidas dos Estados Unidos, será multado sob este título ou preso por não mais de três anos, ou ambos”.
No Brasil, Eduardo é investigado com base no artigo 359-I do Código Penal, que trata do crime de atentado à soberania nacional, cuja pena varia de 3 a 12 anos de prisão.
A investigação no Brasil tramita no âmbito do inquérito que apura a tentativa de obstrução de investigações, coação de autoridades e atentado à soberania nacional. Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro são apontados como articuladores de pressões sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre o governo Lula, por meio do incentivo a sanções contra ministros da Corte e à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A PGR destaca que a ameaça se manifesta “na perspectiva de imposição de medidas punitivas pelo governo norte-americano, que o sr. Eduardo, apresentando-se como particularmente influente junto a ele, diz haver conseguido motivar, concatenar, desenvolver e aprovar em diversas instâncias”.
A PGR descreve o ato como uma tentativa de “retaliação” e “intimidação” a membros da Polícia Federal, do Supremo e do Ministério Público. A representação afirma que Eduardo se apresenta como alguém com “influência junto ao governo norte-americano” e que teria articulado pessoalmente a ofensiva contra o Brasil em diversas instâncias. Segundo o Ministério Público, trata-se de uma ameaça direta à soberania nacional.
A Casa Branca tem demonstrado apoio a Eduardo, sob o argumento de combater uma suposta “perseguição política” a Jair Bolsonaro. Paralelamente, Trump deve usar a Lei Magnitsky para sancionar o ministros Alexandre de Moraes e colegas do STF, o procurador-geral Paulo Gonet e outras autoridades brasileiras.
Eduardo Bolsonaro admite que é melhor um Brasil miserável do que o pai preso
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fez uma publicação nas redes sociais na qual afirmou que é melhor um país viver na miséria do que ser próspero “ao custo do sofrimento de pessoas inocentes”. Mas quem seriam esses inocentes a que ele se refere? Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e todos os envolvidos na tentativa de golpe de Estado? Ou a maioria da população brasileira? A resposta não é difícil.
O posicionamento é claro- ele é contra a retomada do crescimento econômico e da soberania nacional, caso isso signifique manter as investigações contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
“Ninguém quer um país próspero economicamente ao custo do sofrimento de pessoas inocentes”, escreveu o deputado.
A publicação gerou revolta até mesmo entre figuras da Ultra Direita como a vereadora Janaína Paschoal (Republicanos-SP), que reagiu: “É que se ferrarem com o País economicamente, pessoas inocentes também vão se lascar!”
Não satisfeito, Eduardo Bolsonaro fez chacota com a possibilidade de desemprego no Brasil por causa do bolsotaxa. No domingo (27), ele compartilhou uma reportagem com projeção de que a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros coloca em risco 620 mil empregos somente no Paraná.
A reportagem da Revista Veja compartilhada pelo filho de Jair Bolsonaro diz que a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) entregou ao governo de Ratinho Júnior propostas para minimizar os efeitos da taxação, que deve entrar em vigor em 1º de agosto, mas já tem causado cancelamento de contratos e férias coletivas em empresas exportadoras do estado.
“Setores como madeira, móveis, sucos, pescados e papel e celulose podem perder até 98% do mercado, com risco direto para 620.000 empregos”, diz o texto.
“Deve ser porque o Bolsonaro fala palavrão… inclusive o Trump diz isso na carta dele, que a Tarifa-Moraes de 50% é porque Bolsonaro não é moderado”, ironizou Eduardo Bolsonaro.
Em outra postagem o ainda deputado disse: “Imagino os americanos olhando para este tipo de reação e pensando: o que mais podemos fazer para estas pessoas entenderem que é sobre “Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores”, como expresso na carta, posts e entrevistas de Trump?”
Eduardo Bolsonaro está com as contas bancárias e a chave Pix bloqueados por determinação do STF, assim como todos os bens móveis e imóveis. O filho de Jair Bolsonaro também está com o salário de parlamentar retido.
A Polícia Federal tem um procedimento disciplinar aberto na corporação, contra Eduardo Bolsonaro por ofensas proferidas ao delegado Fábio Schor que conduz investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Em discurso na tribuna da Câmara Eduardo Bolsonaro comparou Shor a uma “cachorrinha” e a uma “prostituta”. Eduardo é escrivão da Polícia Federal licenciado desde que assumiu seu mandato na Câmara dos Deputados.
Em uma transmissão ao vivo realizada no dia 20 deste mês, Eduardo voltou a atacar membros da Polícia Federal. “Cachorrinho da Polícia Federal que está me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você… Ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente”, afirmou.
O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), protocolou um pedido ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro. O PAD é uma ferramenta interna da PF que pode aplicar penalidades que vão desde advertência e suspensão até a demissão.
Eduardo pode ser enquadrado por uma série de acusações listadas por Boulos: coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e crime contra a soberania nacional. Se o PAD for instaurado e resultar em demissão, Eduardo Bolsonaro poderá ficar inelegível por até oito anos, conforme prevê a Lei da Inelegibilidade.
Apesar de todo o exposto a Câmara dos Deputados não tomou atitude contra o filho de Jair que fixou residência nos Estados Unidos desde fevereiro. Ele continua com o status de deputado federal e com passaporte diplomático, contrariando o regimento da Câmara que estabelece que a ausência em três quintos das sessões do ano legislativo pode levar à cassação do mandato.
Eduardo Bolsonaro não foi sequer levado à Comissão de Ética da casa, enquanto o deputado federal Glauber Braga (PSOL), enfrenta um processo de cassação de mandato por ter reagido contra um provocador do MBL sem mandato, que atacou verbalmente o parlamentar dentro da Câmara, direcionando os insultos à mãe de Glauber, que estava em estágio avançado do Alzheimer e veio a falecer poucos dias após o episódio.
Os ataques do militante do MBL a Glauber eram recorrentes. Ele já havia xingado Glauber sete vezes.
O deputado André Janones (Avante-MG) teve seu mandato como deputado federal suspenso por 90 dias por ter chamado o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de Nikole durante sessão no plenário da Casa. O fato foi considerado ofensa homofóbica mas Nikolas não sofreu punição quando usou uma peruca loura na tribuna da Câmara na sessão do Dia Internacional da Mulher em 8 de março de 2023 e ironizou que se sentia uma mulher transsexual e, por isso, teria “lugar de fala” no Dia Internacional das Mulheres.
“Hoje, o Dia internacional das mulheres, a esquerda disse que eu não poderia falar, pois eu não estava no meu local de fala. Então, eu solucionei esse problema aqui. Hoje eu me sinto mulher. Deputada Nikole”, disse enquanto colocava uma peruca amarela.