Risco de tragédia: flotilha humanitária com destino a Gaza vem sendo atacada por Israel em águas internacionais

Risco de tragédia: flotilha humanitária com destino a Gaza vem sendo atacada por Israel em águas internacionais

A Global Sumud Flotilla reúne ativistas de mais de 40 países em 50 barcos civis com alimentos, água e medicamentos destinados à população de Gaza

Nas últimas semanas, embarcações foram atacadas por drones e explosivos em águas internacionais próximas à ilha grega de Creta, segundo os organizadores.

O coordenador da delegação brasileira relatou que granadas de luz e cápsulas com líquido irritante foram lançadas contra os barcos. “Arde ao contato da pele”, afirmou.

Israel classifica a flotilha como uma “iniciativa do Hamas” e acusa os participantes de cumplicidade com o grupo. O governo afirma ter oferecido alternativas de desembarque em portos próximos, rejeitadas pelos ativistas. Diante da escalada de ataques, a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou uma investigação independente sobre os incidentes.

A Global Sumud Flotilla tenta romper o bloqueio naval de Israel a Gaza. Advogados, artistas e ativistas, incluindo a ativista climática sueca Greta Thunberg, estão a bordo.

17 brasileiros integram a missão humanitária

Entre os brasileiros que integram a flotilha estão a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (Psol-Campinas), a dirigente Gabrielle Tolotti (PSOL-RS), o militante Nicolas Calabrese e o ativista Thiago Ávila.

 Um grupo de 34 deputados federais encaminhou nesta quarta-feira (24) um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao chanceler Mauro Vieira e ao ministro da Defesa, José Múcio, exigindo medidas urgentes para garantir a segurança dos 17 brasileiros que participam da Global Sumud Flotilla, missão internacional com destino à Faixa de Gaza.

“Não há tempo a perder. A cada hora que se adia uma ação concreta, aumenta o risco de tragédia. Não se trata apenas de proteger vidas brasileiras, trata-se de afirmar o Brasil como nação soberana, solidária e digna de respeito internacional”, afirma um trecho do ofício.

Entre os signatários estão nomes como Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Glauber Braga, Ivan Valente, Luiza Erundina, Pastor Henrique Vieira, Erika Kokay, Maria do Rosário e Jandira Feghali, representando partidos como Psol, PT, PCdoB, PDT e PSB.

Os deputados sugerem que o Brasil siga o exemplo de países como Itália e Espanha, que enviaram embarcações militares para acompanhar missões semelhantes. Eles destacam a “longa tradição” brasileira na defesa dos direitos humanos e alertam que a omissão “será lembrada como cumplicidade”.

O ministro das Relações Exteriores da Grécia, Giorgos Gerapetritis, informou à Reuters que garantiu a segurança da flotilha de Gaza em suas águas:  “Já informamos o governo israelense sobre a participação de cidadãos gregos nesse evento e garantiremos que tudo corra bem”.

Mesmo assim a flotilha foi alvo de 12 drones israelenses que lançaram granadas de atordoamento e pó de coceira nas embarcações enquanto navegavam em águas internacionais a 56 km da ilha grega de Gavdos. Horas depois desse ataque Itália enviou uma fragata e anunciou que outro está a caminho para dar proteção à flotilha: “Não é um ato de guerra, não é uma provocação: é um ato de humanidade, que é um dever de um Estado para com seus cidadãos”, disse o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, sobre a decisão de enviar navios da Marinha italiana.

A Espanha se juntou à Itália e informou estar enviando um navio de guerra para ajudar flotilha. A decisão de enviar navios militares foi tomada após o último ataque e é uma  ação sem precedentes dos governos europeus.

Tentativas anteriores de ativistas para romper o bloqueio naval em Gaza foram neutralizadas à força pelos militares israelenses.

 

 

 

 

 

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