Maioria das cidades brasileiras carece de planos contra o calor extremo

Maioria das cidades brasileiras carece de planos contra o calor extremo

É preciso que a população cobre dos prefeitos

Apesar de o calor extremo ser considerado um desafio relevante por 68% dos gestores municipais entrevistados, 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a elaborar planos de ação para enfrentar o fenômeno. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (3), é fruto de uma iniciativa conjunta da presidência brasileira da COP30 e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Desafios e lacunas de gestão

O estudo, que analisou 53 cidades brasileiras, revela um descompasso entre a percepção do risco e a capacidade de resposta:

Gestão de dados: 75% das cidades não utilizam dados estruturados para orientar decisões sobre o tema, e apenas 42% possuem sistemas geográficos para mapear riscos.

Dependência financeira: 85% dos municípios dependem exclusivamente de recursos externos para implementar ações de adaptação.

Compras públicas: Mais de 80% das cidades ainda não incorporaram critérios sustentáveis de resfriamento às suas políticas de gestão e compras públicas.

Estratégias adotadas

Atualmente, as ações contra o calor concentram-se em soluções baseadas na natureza, como arborização, parques e telhados verdes, presentes em 77% dos municípios participantes. Em contrapartida, medidas de resfriamento passivo em construções como isolamento térmico, ventilação cruzada e uso de materiais refletivos são adotadas por apenas 21% ou menos das cidades.

Uma ameaça crescente à saúde

Os pesquisadores alertam que o calor extremo não é apenas um evento sazonal, mas uma “catástrofe a conta-gotas” que compromete a habitabilidade urbana. O fenômeno, que ocorre quando o calor não é dissipado durante a noite, tem causado impactos severos na saúde pública: entre 2000 e 2020, ondas de calor foram associadas a cerca de 50 mil mortes em regiões metropolitanas brasileiras, superando o número de fatalidades por deslizamentos e enxurradas no mesmo período.

Diante da possibilidade de formação de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026, com potencial para intensificar secas, incêndios e ondas de calor em diversas regiões do país, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar os municípios na criação de planos de ação e estratégias de financiamento. A expectativa é que as futuras intervenções, planejadas para os próximos 12 a 18 meses, beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas. As informações são do News Rondônia

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