Educação antimachista: governo realizará rodas de conversa com jovens de 13 a 21 anos em BH, visando diminuir a violência e educar para a vida social
Prevenir que uma ideia agressiva de masculinidade crie famílias disfuncionais e que venham a cometer crimes. Essa é a proposta da Escola de Masculinidades, projeto lançado pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) nesta segunda-feira (22/6), em Belo Horizonte. A escola para adultos já existe e tem dado resultados positivos. Agora ela inclui também uma versão para adolescentes e jovens de 13 a 21 anos.
Em encontros semanais, os jovens, que por algum motivo foram afastados de suas famílias ou que apresentam comportamentos agressivos, por exemplo, vão trabalhar a própria visão de mundo e os próprios sentimentos para que o ciclo de violência termine, sem ser passado para as próximas gerações.
Os participantes são encaminhados por programas como Fica Vivo, centros de mediação de conflitos, unidades de semiliberdade e pela Associação Profissionalizante do Menor (Assprom).
“Não necessariamente ele precisa ter praticado algum ato de violência. A ideia é trabalhar esse aspecto dentro do adolescente para que ele não reproduza as práticas violentas que vive no entorno dele”, explica coordenadora estratégica de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da DPMG, e defensora pública responsável pelo projeto, Daniele Bellettato.
O curso será realizado ao longo de 10 encontros semanais, sempre às quintas-feiras. As atividades são conduzidas por facilitadores e utilizam metodologias de educação em direitos, Justiça restaurativa e grupos reflexivos.
Na prática, os adolescentes participam de ciclos de conversa em que são incentivados a compartilhar experiências, refletir sobre comportamentos, igualdade de gênero, fortalecimento dos vínculos e em como construir formas não violentas de lidar com conflitos.
Lançamento
A estreia ocorreu no auditório da instituição, no Bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de BH, e reuniu representantes da rede de proteção, profissionais que atuam com adolescentes em situação de vulnerabilidade e jovens que participarão da primeira turma. A expectativa é atender ao todo 20 adolescentes e jovens, encaminhados por programas sociais e de prevenção à criminalidade.
Segundo Daniele, o número de participantes deve ser menor para que os diálogos e a atenção pessoal dada a cada um deles seja mais eficiente.
De onde veio a ideia?
A Escola de Masculinidades surgiu dentro da Escola de Convivência Familiar, programa criado pela Defensoria em 2023, para trabalhar pessoas e famílias expostas a situações de conflito e violência. Inicialmente voltada para famílias que tiveram crianças acolhidas institucionalmente, a iniciativa foi ampliada e passou a receber encaminhamentos de Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), conselhos tutelares, Vara da Infância e outros órgãos da rede de proteção.
Segundo a coordenadora, esses encontros mostraram que a masculinidade é um tema que merece uma atenção especial. “A gente sentiu a necessidade de ter essa temática em separado porque ela é mais profunda e mais enraizada dentro de cada indivíduo”, afirma.
A defensora explica que a proposta não se limita ao combate da violência contra a mulher. O objetivo também é enfrentar outras situações de violência doméstica, familiar e contra crianças e adolescentes.
94% dos casos envolvem meninos
A decisão de direcionar a iniciativa para meninos foi baseada em um dado observado pela instituição: cerca de 94% dos adolescentes envolvidos em atos violentos são do sexo masculino.
Porém, Daniele ressalta que a violência associada ao machismo não vem apenas de homens e que mulheres também podem reproduzir práticas misóginas e violentas dentro das famílias.
A ideia não é punir, mas educar
A Escola de Masculinidades não é destinada apenas a jovens que cometeram infrações. O público-alvo inclui adolescentes marginalizados em geral, inseridos em contextos marcados pela violência, vulnerabilidade social ou risco de envolvimento com a criminalidade.
Portanto, segundo Daniele, o foco está na ressignificação das próprias atitudes e na construção de respostas mais pacíficas diante de situações difíceis.
O método funciona
Na Escola de Convivência Familiar, ainda segundo a defensora, cerca de 70 pessoas entre um grupo de 100 participantes que buscavam recuperar a guarda de crianças conseguiram retomar a convivência familiar que estava “quebrada” antes de chegarem ali.
Além dos grupos, os participantes recebem apoio psicológico. A iniciativa também conta com apoio da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) para oferecer acompanhamento psicológico em casos considerados necessários.
“Ninguém se enxerga violador de direitos. É muito difícil reconhecer que determinada prática é violenta e que existe outra forma de agir”, afirma. Para a defensora, o trabalho preventivo é fundamental porque a punição, sozinha, não rompe ciclos de violência.
“O grande problema é que essas pessoas que vemos nos noticiários um dia vão sair e ter uma família. Se a gente não trabalhar isso, não resolve o conflito. Dá uma resposta para o que aconteceu, mas não resolve o problema”, diz.
Ela acrescenta que “se a gente só criminaliza, não consegue transformar efetivamente aquela realidade e evitar que aquilo se repita”.
Expansão
Atualmente, os programas são desenvolvidos apenas em Belo Horizonte. A Defensoria, porém, pretende expandir a metodologia para unidades do interior de Minas Gerais. Os Cras e Creas continuarão desempenhando papel central nesse processo. Além de realizarem encaminhamentos, os serviços participam da articulação da rede de proteção. A Prefeitura de Belo Horizonte também apoia a iniciativa, custeando o transporte dos participantes.
A expectativa da Defensoria é que a metodologia possa ser compartilhada com outros municípios e serviços de assistência social, ampliando o alcance de uma estratégia que aposta menos na punição e mais na prevenção como caminho para reduzir a violência. As informações são do Estado de Minas. As informações são do Estado de Minas
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
