Nikolas Ferreira articula bancada própria em meio ao racha no PL e é tratado por dirigentes do Novo como provável filiação futura; deputado nega saída, mas a gente já acostumou a não dar crédito ao que eles dizem e sim ao que fazem
Nikolas Ferreira deve deixar PL e migrar para o Partido Novo, na avaliação de dirigentes da legenda em Minas Gerais. A projeção ganhou força com a articulação do deputado federal para eleger uma bancada alinhada diretamente a ele, um movimento próprio que amplia sua autonomia dentro da extrema direita e reduz sua dependência da estrutura comandada por Valdemar Costa Neto.
A informação sobre a aposta do Novo foi publicada na segunda-feira (27) pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles. Dirigentes ouvidos sob anonimato citaram uma suposta insatisfação de Nikolas com o PL e uma maior afinidade ideológica entre o parlamentar mineiro e o partido fundado em 2011.
O movimento criado por Nikolas Ferreira não foi apresentado como um novo partido ou uma organização formal. Trata-se, até agora, de uma articulação para eleger deputados identificados diretamente com sua agenda política e sua liderança, formando uma bancada que possa atuar de maneira coordenada no próximo mandato.
A iniciativa dá ao deputado uma estrutura de poder que não depende exclusivamente do PL ou da família Bolsonaro. Uma bancada própria pode aumentar seu peso em votações, negociações internas, distribuição de cargos partidários e futuras disputas pelo comando da direita.
Atritos de Nikolas Ferreira com o PL se acumulam
A construção de uma bancada própria ocorre após uma sequência de confrontos públicos dentro do bolsonarismo. Em fevereiro, a Fórum mostrou que Nikolas sinalizou a possibilidade de deixar o PL depois de ser pressionado por Eduardo Bolsonaro.
O conflito voltou a ganhar força em junho, quando Eduardo Bolsonaro comparou Nikolas a Joice Hasselmann ex-aliada do clã que rompeu com Jair Bolsonaro. A declaração foi recebida como uma ameaça política e provocou uma resposta pública do deputado mineiro.
O deputado também não participou, no sábado (25), da convenção nacional que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Dois dias depois, durante a convenção estadual do PL em Minas Gerais, declarou apoio ao senador. A sequência reforça que há tensões internas, mas também mostra que a ruptura ainda não foi formalizada.
Segundo a reportagem do Metrópoles, dirigentes do Novo em Minas tratavam a futura filiação como praticamente certa. Eles apontaram a proximidade ideológica com a legenda e o desgaste de Nikolas com setores do PL como elementos favoráveis à migração.
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