Apesar de esnobado pela velha direita, Flávio Bolsonaro está blindado por metade do eleitorado como o ungido capaz de enfrentar Lula
Michelle foge da foto com Flávio Bolsonaro. O centrão dobra a esquina se o filho ungido aparecer ao longe e ameaçar se aproximar. Mas nada disso provoca grandes alterações no lastro eleitoral do candidato, segundo as pesquisas.
Michelle fugiu da convenção nacional do PL porque estava cuidando do marido e depois se ausentou até da convenção que a lançou candidata ao Senado pelo Distrito Federal. E ainda não tirou a foto da trégua com Flávio.
Mas esse distanciamento não muda quase nada. O efeito existiria se Michelle fizesse a foto ao lado do enteado, porque acrescentaria um apoio importante a uma candidatura alquebrada.
Mas o contrário é insignificante como dano, pela omissão de Michelle, à campanha de Flávio. Não muda nada para Flávio se descobrirem agora que Vorcaro pagou a parcela que ele estava cobrando depois de receber R$ 62 milhões.
Não muda muita coisa se for provado e documentado que o dinheiro que o banqueiro e outros empresários mandaram para os Estados Unidos não foi usado para fazer um filme, mas para sustentar Eduardo e outros foragidos.
Não vai alterar o cenário mostrado pelas pesquisas se os jornais continuarem repetindo todos os dias que PP, União Brasil, Podemos e Republicanos não querem Flávio por perto. Flávio só é assimilado pelos tios do zap do centrão, mas não por seus líderes.
Mesmo assim, não há fato novo capaz de agregar informações que tornem ainda mais grave a situação de Flávio, sob o ponto de vista de qualquer valor ético ou moral levado em conta na vida pública ou privada. Não há lama que enlameie ainda mais sua imagem a ponto de significar a piora de um quadro de abandono, de crimes e de horrores.
Nada mais, por mais desabonador que venha a ser, terá forças para abalar uma candidatura que o antilulismo não negocia e só deixará de existir se, na tarde de 15 de agosto, data-limite para a oficialização do seu nome, Flávio surtar e saltar fora.
A candidatura sangra, mas é com Flávio que a velha direita e o fascismo podem contar. O filho conseguiu a façanha de ser o candidato mais desapoiado da política brasileira desde o golpe que implantou a República. Mas pouco ou quase nada muda na sua base eleitoral.
Mas muda muito para Lula e para as esquerdas se, depois da abertura de meia dúzia de inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, um informante da Polícia Federal conseguir abastecer Malu Gaspar e o colunismo de direita com o vazamento de informações contra o filho de Lula.
O estrago de qualquer ação na direção do filho de Lula será percebido, acrescentando danos a Lula e ao governo. Enquanto tudo o que for agregado ao que já existe como novas informações contra Flávio terá impacto quase nulo. As denúncias contra Flávio são natureza morta na imprensa e diante do eleitorado.
É a tal calcificação da posição dos eleitores que se agarram ou que ainda pretendem se agarrar a Flávio como única alternativa anti-Lula. É possível estragar a candidatura de Lula, mas é difícil acabar com a candidatura de Flávio.
Se não fosse assim, o ungido já teria sido quase destruído pela sequência de episódios que o envolvem com Daniel Vorcaro. Por tudo isso, não cometam o engano de achar que informações comprometedoras sobre Flávio possam alterar o cenário atual.
A amoralidade também está calcificada, mesmo entre os que continuam se apresentando como independentes indecisos nas pesquisas e que, em algumas abordagens, equivalem a um terço do eleitorado.
Esse independente arrogante, que ainda não definiu o voto, finge estar indeciso por não saber direito quem são os candidatos, quem são suas turmas, o que eles representam e o que poderão fazer no poder. Esse independente finge não saber que sabe.
Pesquisas que medem quantidades e qualidades das informações ainda são insuficientes para captar a grandeza da postura amoral de pelo menos um terço do eleitorado brasileiro. É com essa aberração que Flávio joga. É com essa base que atrai o resto e fica com quase metade dos votos.
Flávio joga com a amoralidade como Trump vai jogar até tentar um golpe nos Estados Unidos, Milei continua jogando na Argentina e outros fascistas e vigaristas se divertem no Equador e no Chile. E vão se divertindo no Peru e na Colômbia, onde tudo que é amoral é também disruptivo.
Por Moisés Mendes
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