Coluna da Angélica- Os quês e os porquês da briga interna no PP

Coluna da Angélica- Os quês e os porquês da briga interna no PP

1-Agressiva

A revolução dentro do PP comandada pela deputada federal Socorro Néri está longe de ser pacificada. O ocorrido no seminário realizado nesta terça-feira (14), entre a Secretaria de Educação e os municípios para debater políticas de alfabetização, mostra isso. Segundo os presentes, o Secretário de Educação Aberson Carvalho deveria comandar a reunião, entretanto ao tomar conhecimento da presença do prefeito Tião Bocalom (PL), enviou seu Secretário Adjunto, Tião Flores. Pausa para o espanto.

2-…e beligerante

Bocalom é candidato à reeleição com a intenção de ter Alysson Bestene (PP) de vice. A composição tem o apoio do governador Gladson Cameli (PP). Aberson Carvalho é presidente da Executiva Municipal do PP na capital e aliado de Socorro Néri. Foi indicado por ela para a presidência. Representa as ideias de Socorro. Portanto, sua desfeita ao prefeito, apoiado pelo ala do governador mostra que a rachadura vem aumentando. E que a resistência à aliança com a Extrema Direita está forte. Apesar da questão ideológica ser o menor dos interesses em disputa.

3-Sinal fechado

A vitória de uma chapa Bocalom/Alysson seria o pior resultado para a dupla Socorro Néri/Mailza Assis (PP). Néri sonha com o Senado. Mailza quer governar o Acre para além dos 6 meses que terá direito com a saída de Gladson para disputar o Senado. Mas, Bocalom empoderado com a segunda vitória consecutiva e seu vice (Alysson), na campanha além de Gladson fazendo dobradinha Bocalom governador/Gladson senador, joga um caminhão de água gelada na panelinha dela. E na da Socorro. Porque o PP não poderia indicar dois candidatos ao Senado depois do compromisso de apoio a Márcio Bittar (União). Para a saúde política das duas, qualquer opção seria melhor que uma aliança com Tião Bocalom. Até mesmo uma composição com o MDB. Resta saber se Marcus Alexandre que já provou do veneno de Lady Mc Néri vai aderir ao “inimigo do meu inimigo, meu amigo”. Aguardemos

4-Fator vice

Alysson Bestene não é importante como vice por causa do número de votos que seu nome poderia acrescentar, mas porque o sobrenome político dele seria “Progressistas” que carrega o DNA de Gladson Cameli e a carga do partido com toda a sua estrutura. O que inclui personalidades políticas com ou sem mandato, Secretarias de Estado, Cargos Comissionados, partidos aliados e etc. O que menos importa é o percentual de votos que o nome em si possa ter. Mailza Assis por exemplo, é vice sem um voto.

5- Dançantes

Por falar em Boca, ele está sendo vítima de duas últimas questões complicadas. Uma refere-se a obra na fonte da Praça em frente à prefeitura de Rio branco para a qual está prevista a colocação do sistema de águas dançantes. É bonito, mas não é prioridade. É como dar uma prova de caviar para quem não come há vários dias. Refeição seria tapa-buracos, creches, Saúde…é este o cardápio da necessidade. Outro risco é o “Vai para a Célula” que circula nos corredores da prefeitura e é dito em tom de brincadeira maldosa para os que não conseguem aumento salarial. A voz rouca dos subterrâneos do poder municipal afirma que o aumento salarial está sendo vinculado à aceitação do convite para participar de uma célula religiosa. “Não ganhou aumento? Vai pra célula”. Se o rapaz tiver algum amigo, este deveria alertá-lo que exigir orientação religiosa como definição de benefício é crime em Estado Laico. Ele pode se enrolar e até perder o cargo. É complicado quando as ideias dançantes ocupam tanto a cabeça do chefe como a de seus comandados. O nome disso poderia ser delírio.

6-Pra derrubar

Colangiopancreatografia é a palavra que derruba deputado. Ainda mais quando vem acompanhada de “retrógrada”. Que o diga o deputado estadual Gene Diniz (Republicanos). Gene secretariava a sessão desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa e ao ler o requerimento da deputada Michelle Melo (PDT), tropeçou na extensa e complicada expressão. Sem demérito para o deputado. Colangiopancreatografia retrógrada engasga qualquer um.

7-Direita

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), se transformou na principal vitrine do pensamento econômico e político da Direita. Isso acontece por causa da visibilidade que está tendo em virtude da catástrofe político-ambiental que assola o estado. Olhos atentos observam que é só prestar atenção para tirar conclusões sobre as diferenças fundamentais entre Esquerda e Direita. Por exemplo, Eduardo Leite anunciou que precisaria de 19 bilhões para recuperar o Rio Grande do Sul. O presidente Lula (PT), destinou 50 bilhões. Ou seja, o governo federal concedeu o dobro do que foi pedido e mais um acréscimo de 12 bilhões. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), presidente do Banco dos Brics, destinou mais 5 bilhões. Leite somou tudo e disse que não seria suficiente. Elon Musk doou 4 (quatro) antenas StarLink e o governador do RS dobrou os joelhos em agradecimento. Em tempo, Eduardo Leite reclamou que as doações que estão chegando de todo o Brasil ao RS estão “atrapalhando” o comércio local. A declaração esclarecedora sobre a proteção ao lucro em detrimento de vidas foi feita durante uma entrevista à BandNews nesta terça-feira (14).

8-Complicador

Não creio que Gladson Cameli seja afastado do governo do Estado na sessão de julgamento do STJ, marcada para esta quarta-feira (15). Entretanto a ameaça de protocolarem um pedido de investigação com supostas novas provas no Ministério Público Federal, pode complicar. O tal documento que está pronto para dar entrada no MPF mostra que “os fiéis” que tiveram que ser exonerados por terem os nomes divulgados no relatório da Operação Ptolomeu da Polícia Federal (PF), foram acomodados em gabinetes, instituições e associações. Caso seja comprovado esse “acordo de cavalheiros”,  talvez não implique diretamente o governador, mas sim os que fizeram esse favor de acomodar os incômodos. Segundo o setor informal de notícias, do escritório do denunciante até o MPF é questão de dias. Aguardemos.

Bom dia, Coronel Gaia, Secretário de Segurança do Acre. Vossa Excelência não acha que a redução nos números de roubos poderia ser porque o tráfico de drogas corre solto? Com a principal fonte de renda garantida os faccionados não precisam roubar por aí né? Tem gente apontando que os dados divulgados tentam mascarar o caos existente. Principalmente na periferia. 

Coluna de opinião e reflexão

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Imagem- Cartumarte

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