Quase 100 dias após prometer estar “100% disposto” a abrir o contrato do filme, após revelação do elo com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro mentiu dizendo que “prestação de contas já foi feita” sem nunca ter apresentado um documento
Mentindo há quase 100 dias desde que prometeu, em entrevista à CNN, estar “100% disposto” a tornar público os contratos de investimento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL) mudou a narrativa e afirmou nesta quinta-feira (20) que “já prestou contas” sobre o caso e que a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro é “página virada”, mesmo em meio às investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso.
Indagado sobre a prestação de contas do caso, Flávio afirmou, sem constrangimento, que ela “já aconteceu”.
“Olha, já aconteceu. Inclusive eu vi a própria prestação de contas que foi feita do filme, foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho”, mentiu.
Em seguida, o senador passou ao ataque dizendo que “agora, quem tem que prestar contas é o Lula, não sou eu”.
“É ele que recebe Augusto Lima e Vorcaro lá, prometendo que vai trocar o presidente do Banco Central para esperar um pouquinho, para não vender o Banco Master para outro banco, não. Espera um pouquinho que o Lula já vai trocar o presidente do Banco Central, rapidinho eles conseguem resolver isso. Então, quem tem que dar explicação é o Lula, quem tem que dar explicação é o Lulinha, por que ele quer que o futuro dele esteja na Suíça e não aqui no Brasil?”, emendou, mentindo e misturando temas para atacar o presidente.
Para concluir, Flávio ainda afirmou que “na nossa parte está tudo, página virada”, ignorando as cobranças ao “irmão” Daniel Vorcaro, pivô do escândalo financeiro.
A declaração ocorre 93 dias depois que ele prometeu apresentar o contrato e a prestação de contas do filme sobre o pai, em meio às revelações de que Vorcaro transferiu cerca de 10 milhões de dólares para um fundo de investimento nos EUA administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
A promessa foi feita em 19 de maio. Flávio disse que apresentaria, em até 30 dias, uma prestação de contas sobre os recursos. O prazo terminou em 18 de junho.
Dias antes à CNN, Flávio já havia dito que estaria “100% disposto” a abrir as contas.
“Eu estou 100% disposto a isso [tornar o contrato público]. Mas é um contrato nos EUA que é gerido por um fundo privado, que tem as regras de compliance. Eu não sei se eles têm esse mesmo entendimento que eu”, declarou.
O contrato, no entanto, nunca foi apresentado.
Dark Horse: R$ 61 milhões, sigilo e poucas notícias do inquérito
A investigação sobre Dark Horse tenta esclarecer repasses feitos por Vorcaro depois de tratativas diretas com Flávio Bolsonaro.
Documentos e áudios revelados pelo Intercept mostraram que o então pré-candidato à Presidência negociou com o banqueiro um financiamento previsto de cerca de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões. Desse montante, cerca de US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — teriam sido efetivamente enviados.
A Polícia Federal quer saber qual foi o destino desse dinheiro e se todos os recursos foram empregados na produção do filme. Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O próprio Flávio prometeu tornar públicas as contas. Até agora, porém, não apresentou a prestação de contas anunciada.
Em 23 de julho, André Mendonça autorizou a abertura do inquérito pedido pela PF, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão e a investigação permanecem sob sigilo.
Desde então, pouca coisa apareceu publicamente. Nenhuma busca e apreensão, quebra de sigilo, prisão ou outra nova medida cautelar que dependesse de autorização judicial chegou STF desde a abertura do inquérito, que permanece fechado pelo sigilo. Com informações da Fórum
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