Coluna da Angélica- Bancada federal: muito nome para pouco trabalho

Coluna da Angélica- Bancada federal: muito nome para pouco trabalho

1-Pior de 30
Jornalistas que cobrem o Congresso estão decepcionados com a atual bancada federal do Acre. Segundo eles, esta é a pior composição de deputados federais do Acre dos últimos 30 anos. Pelo jeito, Zézinho Barbary (PP), foi o único que descobriu o caminho das pedras. Faz um mandato voltado para as demandas do Juruá, visita a região todo o final de semana e contenta seus eleitores. Socorro Néri (PP), até que consegue algum protagonismo por compor a Comissão de Educação, mas sua função não tem feedback  no Acre. Não tem apelo popular. Os demais, ou ainda estão presos no labirinto do fauno ou tentando inventar a roda. Parte do problema é atribuído à escolha das assessorias. Segundo as informações, contrataram para trabalhar em seus gabinetes, em Brasília,  profissionais de outros estados que não sabem nem encontrar o Acre no mapa. Exageros a parte, está ruim mesmo, mas dá tempo de se encontrarem. Um pouquinho mais de paciência, gente.
2-Mandato só
O problema da falta de entrosamento com o eleitor, da falta de respostas aos problemas do estado, é que resulta em um único mandato. Se o eleitor não se sente contemplado, dá o troco. Justamente. Mantê-los ou apeá-los do poder depende de apertar um botão.  Eduardo Veloso (União), que assumiu o mandato de senador com o afastamento de Márcio Bittar (União), para se dedicar à campanha da ex-esposa Márcia ao Senado, estendeu o contato com pessoal do gabinete do Márcio e acabou levando-os para o seu, quando assumiu o mandato de deputado federal. Segundo informações de jornalistas que cobrem a Câmara dos Deputados, Veloso acabou contratando a esposa do chefe de gabinete de Márcio para sua chefia de gabinete. Dizem que a moça encheu o gabinete de Veloso de gente que nunca pisou no Acre- Isso ajudaria a explicar a invisibilidade de Veloso na taba. Como diz o jornalista Mariano Maciel, as notícias ruins os jornalistas descobrem. As boas, as assessorias precisam divulgar.
3-Tiro
O nome da CPMI para investigar os atos terroristas de 8 de janeiro deveria ser substituído de CPI da Verdade por CPI dos Golpistas, porque são eles que serão investigados. Todos sabem o que eles fizeram no verão passado. O que não faltam são evidências. Inclusive o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, continua preso e, se convocado para depor na Comissão de Inquérito, pode entregar o ouro. O governo pretende colocar sua tropa de choque, os que participaram da CPI da Covid, para integrarem a do golpe. Se isto acontecer, vão trucidar a oposição. São mais preparados, mais sagazes. E de nada adianta o calouro André Fernandes (PL-CE), autor do requerimento para criar a CPI, espernear porque não o deixam presidir a Comissão. André é investigado em um inquérito no STF como um dos possíveis envolvidos nos atos criminosos de 8 de janeiro. Como poderia presidir a investigação? Isso seria tão coerente quanto Pablo Escobar presidir uma CPI do narcotráfico. O parlamentar publicou vídeos nas redes sociais convocando “ato contra o governo Lula” para 8 de janeiro. Logo após as invasões, postou a imagem da porta de um armário vandalizado do STF, com o nome do ministro Alexandre de Moraes, com a legenda: “Quem rir vai preso”. André Fernandes ficou conhecido pela publicação de vídeos humorísticos no YouTube e Facebook. Depois entrou para a política.
4-…no pé
A oposição extremista insistiu no pedido de CPMI achando que o governo barraria e eles fariam o discurso de vitimização. É impossível que imaginassem que haveria um jeito de culpar o governo Lula (PT) pelos atos criminosos de 8 de janeiro. Lula não incentivou seus apoiadores a fazer baderna nem quando foi condenado, preso e impedido de disputar a eleição, por que o faria depois de eleito? A fragilidade desse argumento é tão óbvia que só dá para pensar que a intenção era fazer intervenções de efeito para fazer cortes e lacrar nas redes sociais. Já é tempo de enterrar o período da lacração. Substituir isso por trabalho. Chega de pagar parlamentares para lacrar nas redes sociais. Antes do governo decidir apoiar a CPMI, os deputados André Fernandes, Carla Zambelli, Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e Bia Kicis, todos do PL de Jair Bolsonaro, fizeram em média de 10 a 15 postagens apoiando a instauração da comissão. O jogo virou. 60 horas depois que o governo decidiu apoiar a investigação não havia mais nenhuma publicação desses parlamentares favorável à Comissão. Para complicar, Alexandre de Moraes sinalizou que realizará a conexão entre o inquérito sobre atentados de 8 de janeiro e o das Fake News. Neste último, o ex-presidente Jair Bolsonaro, os filhos dele e aliados são investigados sob a acusação de terem sustentado o poder com uma máquina de fake news. Deputados governistas já anunciaram a possibilidade de convocar Carlos Bolsonaro, o filho vereador de Bolsonaro. Carluxo anunciou recentemente que não vai mais cuidar das redes sociais do pai. Na terça-feira 28 deverá ser feito o anúncio oficial da instalação da CPMI e a única maneira dela ser inviabilizada é se os membros dos blocos não indicarem os nomes que formarão o colegiado.
5- Carlão no Acre

Estrela do panteão do vôlei, o acreano de Rio Branco, Carlão, primo da ex-deputada e atual conselheira do TCE, Naluh Gouveia, Antonio Carlos Gouveia, deve assumir o setor de esportes da Secretaria de Educação. Trazer Carlão é um sonho antigo acalentado por vários governos do Acre. Binho bem que tentou, mas não conseguiu. Afinal, conseguir uma estrela como Carlão, capitão da seleção brasileira de vôlei por mais de uma década e peça fundamental na conquista da primeira medalha de ouro do vôlei brasileiro, não é tarefa fácil. Carlão é reconhecido internacionalmente. Já foi eleito o melhor do mundo e construiu uma carreira de sucesso na Itália. Uma hora a gente descobre o motivo do sucesso de Gladson em relação a Carlão. Mas não deve ser coisa pouca. Não mesmo.6- Substituto

Segundo a pesquisa Genial/Quaest, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) é o favorito da extrema direita para disputar a eleição presidencial em 2026. Mas o desastrado governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também afia as unhas. Zema, que há poucos dias ao participar de um podcast perguntou se a poeta mineira Adélia Prado trabalhava com os jornalistas que o entrevistavam, chocou novamente os mineiros neste dia 21 de abril, quando condecorou Michel Temer (MDB) e Sérgio Moro (União) com a medalha da Inconfidência. Ao comemorar o Dia de Tiradentes, Zema postou no Twitter que a Inconfidência Mineira havia sido um golpe contra a coroa portuguesa e que Tiradentes foi o único inconfidente a confessar os “crimes”. O tuíte foi apagado após a repercussão negativa e foi substituído por outro onde dizia que apenas Tiradentes confessou os “atos”. Mas já era tarde. Os prints da primeira postagem continuam a circular. O ex-presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Barbosa Lima Sobrinho costumava dizer que independente do número de partidos, só existem a rigor dois partidos no Brasil: o de Tiradentes e o de Joaquim Silvério dos Reis. Pois.

7- Meritocracia

A escolha do filho do senador Márcio Bittar para presidir a Fundação Garibaldi Brasil deveu-se exclusivamente a critérios técnicos expostos no extenso currículo do jovem. Não tem nada a ver com ele ser filho do senador e presidente estadual do União Brasil, nem ao fato do prefeito Tião Bocalom (PP) estar em busca de aliados para sua nova aventura política. Comandar a Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil, requer competência e formação. Coisas que o João Paulo Bittar tem de sobra e que extrapolam a importância de seu sobrenome. Contém 1 kg de ironia. Pura. Interessante observar como a conveniência momentânea une os dois. Boca & Bittar que poderia ser nome de dupla sertaneja apenas nomina dois eleitos graças aos esforços do senador Sérgio Petecão, que agora estão juntos e se voltam contra Petecão. Gratidão e política decididamente são incompatíveis.

8-Risco

É preciso estar atento para essas seitas que se espalham pelo mundo. No Quênia, o pastor da Igreja Internacional da Boa Nova, Makenzie Nthenge, disse ao seu rebanho que deveriam parar de comer para poderem encontrar Jesus. Sem comer, os fiéis foram morrendo. Entre eles duas crianças. 47 corpos já foram encontrados. Nenhum voltou para dizer se encontrou Jesus em outra vida, mas o pastor Makenzie se livrou da prisão pagando uma fiança de 100.000 xelins quenianos, o equivalente a 3,7 mil reais. Outras 11 pessoas estão hospitalizadas. Elas foram encontradas em estado crítico por causa do jejum forçado imposto pelo pastor que alega falar com Deus. Na minha humilde opinião leiga, Deus não precisa de atravessadores. Se tiver algo a dizer, diz ao interessado. Melhor abraçar a desconfiança. Dá menos prejuízo que falsos profetas e mercadores da fé.

Bom dia, José Bestene, presidente da Saneacre. O que aconteceu com a promessa de melhorar os sistemas de captação, tratamento e distribuição de água e de sua “ampla experiência” no setor por já ter sido presidente do Deas -Departamento de Água e Saneamento do Estado do Acre? Sim. Revi seu discurso de posse. Pergunto porque os moradores do bairro Floresta Sul estão há 4 dias sem água. Escovando os dentes com água mineral. Água nas torneiras é o básico. Nem isso conseguem garantir? É ruim, hein?

Esta é uma coluna de opinião

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Imagem- Site Caminho para a Riqueza

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