Coluna da Angélica- O risco de criar monstros na política

Coluna da Angélica- O risco de criar monstros na política

1-Eleição

O governador Gladson Cameli (PP), bateu o cetro e Nicolau Júnior (PP) foi reconduzido à presidência do Poder Legislativo do Acre. Luiz Gonzaga (PSDB), voltará a ocupar a 1ª Secretaria da Assembleia Legislativa (Aleac), a partir de fevereiro de 2025. Ambos poderiam ser homenageados com a medalha de fidelidade ao governo. Por isso retornaram. Entretanto, o empenho de Gladson para colocar Nicolau na presidência em 2025/2026 dá margem a especulações. Caso a vice-governadora Mailza Assis (PP) seja guindada a conselheira do TCE, quando Gladson se afastar para disputar o Senado, quem assumirá o governo do Estado será Nicolau Júnior. E como tal, poderá disputar o governo do Acre. Uma saída honrosa para Mailza que se mantém como lanterninha na disputa pelo governo e possibilita ao Partido Progressistas continuar a mandar no Acre.

2-…da Mesa Diretora

Chia quem quiser, mas todo governador interfere em eleição de Mesa Diretora do Legislativo. Faz parte. A todo e qualquer governador interessa ter no comando do Legislativo, parlamentar identificado com o projeto. Os Três Mosqueteiros, Nicolau, Gonzaga e Pedro Longo (PDT), respectivamente presidente, 1º Secretário e vice-presidente se enquadram neste padrão. A Aleac foi a  nona Assembléia Legislativa a antecipar a eleição da mesa diretora. E foi aclamada por unanimidade. Se a presidência do Poder Legislativo Acreano pode ser chamada de Os três Mosqueteiros, o quarto mosqueteiro deve o chefe da Segov, Luís Calixto, que de acordo com informações pretende disputar uma vaga na Aleac em 2026. Calixto, João Correia (MDB) e Major Rocha, fazem falta na tribuna da casa. Têm conteúdo, coragem e excelente oratória. Ponto.

3- Pesquisa

A última pesquisa de intenções de votos para prefeito de Rio Branco, mostra que não adianta se agarrar a Jair Bolsonaro para conquistar votos. Mesmo num estado de maioria bolsonarista. Exemplo disso foi a eleição de 2018. No auge do bolsonarismo quando Jair obteve 77,22% dos votos no estado e 82,77% na capital Rio Branco, seu candidato ao governo, Ulysses Araújo, conseguiu pouco mais de 10% dos votos. Olhos atentos observam que se Bolsonaro não conseguiu transferir votos no auge de sua popularidade quando aparecia como “o novo” na política imagine agora que é indiciado como ladrão de joias. Parece que só Tião Bocalom (PL) não entendeu a equação. Logo ele que foi professor de matemática.

4-Esquerda/Direita

Esta disputa reduzida a Esquerda/Direita é ultrapassada. Até porquê a Esquerda sofreu ao longo das décadas um visível processo de “endireitamento”.  Não existem partidos de “Esquerda” no sentido tradicional da esquerda política, alerta o professor e de Economia da Universidade de Missouri e analista financeiro de Wall Street, Michael Hudson: “os partidos Social-Democratas e Trabalhistas de hoje não são nem socialistas nem pró-trabalhistas, mas neoliberais pró-austeridade” (aqui ). O que confirma o que dizemos há anos. Que no Brasil não temos Esquerda, mas Canhota. Exemplo disso foi a resposta ao ataque especulativo recente que elevou o dólar. Apesar do presidente Lula (PT), tentar resguardar direitos trabalhistas e humanos a saída foi pelo neoliberalismo e seu “austericídio”.  Com a manutenção do arcabouço fiscal. O ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), chegou a aventar a retirada dos pisos da Saúde e Educação e desvincular as aposentadorias do salário mínimo. Foi isto que acalmou o Mercado e calou o sabotador presidente do Banco Central, Campos Neto e não os discursos de Lula. A Reforma Tributária que não tributou os bilionários e amenizou os impostos da carne, beneficiou os grandes pecuaristas. A queda do preço para o consumidor é a migalha que nos cabe neste latifúndio. O próprio ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) disse que o atual governo de Lula é de centro-direita, e não de esquerda (Veja Aqui).  Paralelo a isso, observa-se que a Direita caminha a passos acelerados para sua expressão mais radical e violenta que é o fascismo. Olhos atentos observam que nossas escolhas políticas se resumem a eleger quem possa mitigar os efeitos nocivos do neoliberalismo em nossas vidinhas cotidianas e a tirania dos que nem compromisso com isso têm mas têm por princípio colocar a polícia para sufocar os divergentes. Manobras típicas do fascismo, Não há luz no fim do túnel.  Resta-nos defender as migalhas ou ficar até sem elas.  Em tempo, o Centro não sabe o que é e nem perde tempo em descobrir. Independente do lado para o qual o vento sopra quer tão somente continuar a se dar bem. Ponto.

5-Para refletir

O normal seria poder torcer para o time que se quer. Um poder ser Flamengo, outro Corinthians e outro ainda ser Internacional mas todos se  juntarem para torcer pela  Seleção Brasileira. Assim no futebol como na política. Um pode ser PL, outro PSOL e outro ainda MDB, se todos vestirem a camisa do Brasil. Não é o que acontece. A oposição raivosa não apenas torce como atua contra o Brasil. Eduardo Bolsonaro (PL) e sua troupe defendem sanções contra o Brasil. Em abril, eles estiveram nos Estados Unidos para articular sanções contra o Brasil. Na reunião da CPAC realizada nos dias 6 e 7 deste mês em Balneário Camboriú (SC), Eduardo Bolsonaro disse em discurso que espera que se  Trump for eleito “use de sanções similares às impostas contra Venezuela e Belarus”. Em tempo, sanções contra um país afetam toda a população. Vide o que acontece na Venezuela.

6-Fábrica de monstros

As dificuldades do momento tem tudo para transformar o país numa fábrica de monstros com o fanatismo religioso interferindo na política e o ódio como força inspiradora. Olhos atentos observam que o Brasil não pode se transformar no cenário de uma cruzada medieval com alguns pastores neopentecostais associados a políticos malandros que se aproveitam de crentes ingênuos. Vale ressaltar que os mais nocivos nem são os que predadores que manipulam os sentimentos dos outros para forçá-los a fazerem o que desejam,  mas os que genuinamente acreditam estar fazendo a coisa certa. São estes que causam o estrago maior.  Creem firmemente estar atuando em defesa de uma causa maior. Geralmente em nome de uma causa sagrada. Prejudicam-se e prejudicam os outros. Ferem sem sentir.

7-Não basta ser mulher

…tem que votar em defesa delas. E nisso as deputadas federais do Acre pecaram. E feio. As três representantes do Acre na Câmara dos Deputados, Meire Serafim (União), Socorro Néri (PP) e Antônia Lúcia (Republicanos), votaram a favor da anistia aos partidos políticos que desrespeitaram os percentuais mínimos de destinação de verbas para candidaturas de mulheres, pretos e pardos na eleição passada. Antônia Lúcia ensaiou uma rebeldia e votou contra no primeiro turno mas capitulou e votou a favor no segundo turno. A anistia é para que  os partidos que não cumpriram a regra não serão multados, que não terão sanções como a perda de mandatos de candidatos eleitos nem sofrerão  inelegibilidade. A PEC da Anistia abre brechas para partidos descumprirem novamente os direitos das candidaturas femininas, de pretos e pardos nas futuras eleições. Pretos e pardos totalizam 74,81 da população acreana e metade da população é mulher. Olhos atentos aos números observam que voto das parlamentares do Acre pode ser encarado como contrário a possibilidade de toda essa gente receber recursos para se candidatar. Tem político que só representa a si mesmo.

8-Rio Branco

Na induzida, que é quando se apresentam os nomes dos candidatos, a pesquisa do Instituto Delta registrada no TRE sob o número 03242/2024, mostra o candidato do MDB, Marcus Alexandre com 7,33% de vantagem sobre o atual prefeito. Detalhe importante, Bocalom tem 31% de rejeição, que é a resposta a pergunta “em quem você não votaria de jeito nenhum”. Brancos e nulos somaram 13, 67%. Chama a atenção o fato de de 50,43% dos pesquisados terem respondido que se a eleição fosse hoje  ente Marcus Alexandre, Tião Bocalom e Emerson Jarude (NOVO), não sabem ou não responderam. Detalhe este que deveria acender o sinal de alerta nas candidaturas. Principalmente porque o nome de Jenilson Leite (PSB) não entrou na pesquisa.

9-Risco

O atentado contra Donald Trump é uma faca de dois gumes. Tanto pode elegê-lo como derrotá-lo. Se for comprovado que foi armação Trump estará lascado. O que não significa motivo de comemoração para os brasileiros. Donald Trump, Joe Biden, Michelle Obama e quem mais vier são variações do mesmo.  Reféns das corporações. Em tempo, Thomas Matthew Crooks de 20 anos, acusado de ter atirado no candidato com uma AR-15, era filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Trump. E foi morto com tiro entre os olhos logo após o ocorrido. No país do capitalismo onde tudo se transforma em mercadoria o atentado teve a mesma consequência. Camisetas com a foto de Donald Trump com o rosto ensanguentado e erguendo a mão em gesto de força tendo a bandeira dos EUA por trás começaram a ser comercializadas logo após o suposto atentado ao preço de 9 a 40 dólares.

Bom dia, Pedro Pascoal, Secretário de Saúde do Acre. As reclamações estão se avolumando né?  Além de Victor Douglas que com os dois pulmões afetados pelo câncer aguarda pelo único tratamento possível à base de iodoterapia há quase um ano, soma-se a de uma criança internada no Hospital da Criança com diagnóstico de pneumonia “tratada” apenas com dipirona. O que está acontecendo com a Saúde do Estado, secretário? Aprovação não vem com vidas que se vão né?

Coluna de opinião e reflexão

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