Ativistas da flotilha sequestrados por Israel iniciam greve de fome
Todos os tripulantes da Flotilha Global Sumud, sequestrados por Israel foram levados para a prisão Saharonim em Ketziot, no deserto de Negev, perto da fronteira com o Egito. A prisão é um dos locais mais temidos de Israel, devido a inúmeras denúncias de tortura e maus tratos.
Em 2021, imagens divulgadas mostraram dezenas de palestinos algemados, jogados no chão, chutados e espancados por guardas israelenses.
Em 2023, um prisioneiro palestino morreu após ser brutalmente agredido. Os golpes foram tão fortes que um pedaço do crânio caiu no chão. Os 19 guardas israelenses que participaram da tortura e morte não foram punidos.
No ano passado a ONG israelense de direitos humanos B’Tselem publicou um relatório com os testemunhos de 12 palestinos presos em Ketziot. Eles relataram espancamentos com cassetetes, torturas, humilhações, violência sexual e condições desumanas como falta de comida, água, saneamento e atendimento básico.
Entre os presos de 47 nacionalidades, estão advogados, cerca de 20 jornalistas, políticos, inclusive eurodeputados e a deputada federal Luizianne Lins (PT-Ceará), o ativista brasileiro Thiago Ávilla e a ativista sueca Greta Thunberg. A ex-prefeita de Barcelona (Espanha), Ada Colau, também está entre os presos.
Ninguém sabe por quanto tempo os integrantes da Flotilha permanecerão presos. Autoridades israelenses informaram que será aberto um processo e o juiz decidirá se eles serão ou não deportados.
No que depender do ministro da Segurança de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, os ativistas permanecerão presos em Ketziot. O ministro se posicionou contra a deportação: “Acho que eles devem ficar aqui por alguns meses para que se acostumem com o cheiro da ala terrorista”, publicou ele no X (antigo Twitter).
Segundo a Delegação Brasileira do Global Sumud Flotilha, parte dos ativistas internacionais iniciou uma greve fome nesta sexta-feira, 03.
Brasileiros encontrados
O governo Israel atualizou o status dos brasileiros João Aguiar e Miguel de Castro para “interceptados por Israel”. Aguiar estava a bordo do veleiro Mikenos e Miguel no barco Catalina, as duas pequenas embarcações que furaram o bloqueio naval israelense e se aproximaram da costa de Gaza. Eles foram interceptados antes de atracar no território palestino.
Até o momento ninguém no Brasil conseguiu contato com os brasileiros sequestrados por Israel. Todas as informações são obtidas por postagens de autoridades israelenses e publicações de jornais árabes e israelenses.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira anunciou a visita de uma equipe da embaixada do Brasil em Israel possivelmente nesta sexta-feira, 03, mas até o momento não há informações se conseguiram. Anteriormente as autoridades sionistas negaram o acesso sob a justificativa de estarem no feriado judaico do Yom Kippur que paralisa o atendimento consular, mas não o policial. Tanto que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou as forças militares: ” Parabenizo os soldados e comandantes da Marinha que cumpriram sua missão em Yom Kippur da forma mais profissional e eficiente”, disse ele.
O Yom Kipur é o dia em que os judeus param tudo- não trabalham, não comem e não tomam banho. Dedicam-se à reflexão e a pedir perdão pelos pecados. Como tudo na vida deles, tem relação com a religião. Assim, a origem do Yom Kippur é atribuída ao perdão de Deus por eles terem cultuado um bezerro de ouro. De acordo com a história que acreditam, quando Moisés desceu do monte Sinai depois de receber os Dez Mandamentos, encontrou os judeus adorando um bezerro de ouro e agradecendo a este pelo fim da escravidão no Egito.
O governo brasileiro se limita a fazer declarações e aguardar pacientemente as permissões de Israel.
Vitória política
Apesar de não terem conseguido desembarcar os mantimentos e medicamentos em Gaza, que continua sitiada por Israel, a missão da Flotilha conseguiu vitórias importantes. Foi a única que em 15 anos de bloqueio chegou tão perto da Palestina e apesar de não ter conseguido entregar os produtos que foram confiscados pelo governo de Israel, sua presença nas proximidades atraiu as atenções militares o que permitiu aos palestinos a chance de pescar (o que é proibido por Israel), e obterem alimento. Além disso, expôs ao mundo com mais veemência o caráter brutal do cerco à Gaza.
Global Sumud significa Resiliência em árabe. E sim, cumpriu seu papel. O mundo inteiro se manifesta contra o genocídio.
Falta os governos exigirem o retorno de seus cidadãos em segurança, uma vez que foram sequestrados em águas internacionais e não invadiram áreas israelenses.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, determinou a expulsão da delegação diplomática de Israel após a detenção de duas colombianas. A presidenta do México, Claudia Sheinbaum exigiu a repatriação imediata de seis cidadãos mexicanos. A Espanha convocou a encarregada de negócios de Israel em Madri e abriu uma investigação sobre possíveis crimes contra a humanidade. 65 cidadãos espanhóis estão entre os detidos por Israel.
O governo da Turquia chamou a operação de Israel em águas internacionais de ato de terrorismo e anunciou a abertura de inquérito após a prisão de 24 cidadãos turcos.
O governo brasileiro confirmou a presença dos 17 brasileiros na Flotilha, entre eles, uma deputada federal no exercício do mandato, mas só disse que a segurança das pessoas detidas passa a ser responsabilidade de Israel.
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
