O telefonema entre os presidentes do Brasil e dos EUA interessa além fronteiras
O telefonema entre os presidentes Lula e Trump, nesta sexta-feira, mereceu forte repercussão na imprensa internacional. A ligação ocorreu depois que o governo brasileiro acusou o governo Trump de tentar “interferir” nas eleições presidenciais do Brasil. A nota divulgada, nesta sexta, pelo governo brasileiro informa que a conversa foi, porém, em tom “cordial e amistoso”, e durou uma hora e 20 minutos. Como lembrou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, entre outras autoridades brasileiras, as tarifas aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano podem afetar o emprego no Brasil.
Repercussão
Pela importância do Brasil no cenário global, sendo o maior país da América Latina, em termos econômicos, geográficos e populacionais, era esperada a repercussão do telefonema na imprensa internacional. Além disso, a menos de dois meses da eleição presidencial no Brasil, políticos, diplomatas, analistas estrangeiros e a imprensa internacional acompanham atentamente os movimentos das campanhas brasileiras.
“Trump e Lula conversaram durante mais de uma hora depois das atitudes hostis de Washington”, publicou o El País, de Madri. “Uma ligação de 80 minutos e tensão comercial: Lula falou com Trump e chamou de “infundadas” as acusações vinculadas às tarifas”, publicou o Clarín, de Buenos Aires.
Passou a ser frequente ouvir nas capitais dos países vizinhos do Brasil, como Lima, Bogotá e Buenos Aires, o interesse no processo eleitoral, especialmente quando o interlocutor percebe que está falando com alguém que é brasileiro: “Quem vai ganhar? Lula continuará?” E ainda afirmações como, por exemplo, a de uma dermatologista, que costuma viajar com a família para o Brasil: “A polarização é forte no teu país. Como pode ser, se a economia do Brasil está crescendo? Lula não deveria ganhar logo no primeiro turno?”. Também é comum associarem o senador Flávio Bolsonaro ao presidente argentino e, naturalmente, ao pai, com recordações sobre o comportamento do então presidente brasileiro principalmente na pandemia. Por isso, desta lado da fronteira do Brasil, ficam surpresos quando comentamos que algumas pesquisas apontam para a possibilidade de eventual segundo turno.
Como dizia Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes.
Por Marcia Carmo
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