Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment apontou que 72% dos gastos de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorreram nos Estados Unidos. O documento calcula custo total de US$ 13,39 milhões para a produção, que está no radar de investigações compartilhadas com o Supremo Tribunal Federal (STF). A auditoria não considera os valores enviados por Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
O levantamento, elaborado em junho pelo presidente do Instituto de Perícia Investigativa, Anísio Costa Castelo Branco, estima despesas de US$ 9,66 milhões nos EUA, equivalentes a cerca de R$ 54,25 milhões na conversão indicada. No Brasil, onde o longa foi filmado, os custos somaram US$ 3,73 milhões, ou aproximadamente R$ 20,93 milhões.
A perícia relaciona os valores no exterior à pré-produção, de US$ 2,66 milhões; à pós-produção, de US$ 1,96 milhão; e à produção e filmagem de cenas, de US$ 1,97 milhão. O documento também lista US$ 383,2 mil para desenvolvimento do projeto e US$ 2,69 milhões em despesas logísticas e administrativas anteriores à pré-produção.
O perito afirmou ter examinado extratos bancários e detalhamentos das despesas, mas esses documentos não acompanharam o relatório anexado à investigação da Polícia Civil de São Paulo. Questionado sobre a origem dos recursos, Castelo Branco declarou que as informações estão protegidas por cláusulas de confidencialidade e, em alguns casos, por sigilo bancário.
Investigação apura repasses ligados a Daniel Vorcaro
O filme passou a pressionar a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que vieram a público mensagens em que ele cobrava recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção. A Polícia Federal investiga se valores repassados por Vorcaro também poderiam ter custeado despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro por meio de uma empresa ligada a ele e de um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Ao ser questionado sobre as contas do longa, ele afirmou: “A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou”.
Aliados do senador atribuem a concentração dos gastos nos Estados Unidos aos cachês do elenco internacional, liderado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro. A perícia, porém, não mapeou a origem dos recursos enviados pelo fundo Havengate, sediado nos EUA, para o financiamento do projeto.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) aceitou em agosto o Registro de Obra Estrangeira para “Dark Horse”, etapa inicial para o lançamento comercial. Em 28 de julho, a agência também autuou a Go Up Entertainment por produzir no Brasil uma obra cinematográfica estrangeira sem comunicar o fato à Ancine; a infração pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.
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