Que poder é esse? Rede social estrangeira censura site brasileiro dentro do Brasil

Que poder é esse? Rede social estrangeira censura site brasileiro dentro do Brasil

O site Brasil Fora da Caverna foi derrubado no Instagram às vésperas da eleição

A explicação publicada no site BFC informa: A página do Brasil Fora da Caverna (BFC), antigo Brasil Fede Covid, no Instagram foi derrubada pela Meta na noite desta sexta-feira (21), pouco depois de ultrapassar a marca de 1,1 milhão de seguidores. Antes da medida, a gigante da tecnologia não emitiu nenhum aviso.

A retirada do perfil ocorre em meio ao período eleitoral de 2026 e interrompe o acesso a um dos principais canais de distribuição de conteúdo jornalístico do veículo nas redes sociais. Nos últimos 30 dias, o BFC ganhou mais de 60 mil seguidores.

A direção do Brasil Fora da Caverna considera a medida um ato de censura e relaciona a derrubada ao crescimento alcançado pelo perfil e à sua presença no debate público durante as eleições. Até o momento, porém, não foram apresentados elementos que permitam confirmar a motivação da Meta para a decisão.

Com alcance gigantesco dentro do campo progressista, a página vinha ampliando sua audiência e a circulação de notícias sobre política, direitos humanos, sociedade e cultura. Para o veículo, a suspensão representa um ataque à liberdade de imprensa e um retrocesso para o jornalismo comprometido com a democracia.

O Brasil Fora da Caverna informou que buscará esclarecimentos e a recuperação do perfil. Por enquanto, o veículo vai atuar por meio do perfil @brasilfedecovid e pelo sitewww.brasilforadacaverna.com.br.

Desafio às leis brasileiras

Antes de derrubar o BFC, o site Brasil em Folhas, denunciou que a Meta, dona do Instagram, realizou ações promocionais na saída de escolas em São Paulo. A empresa montou estandes e distribuiu brindes para divulgar as chamadas “Contas de Adolescentes”. Em alguns casos, a iniciativa ocorreu sem autorização escolar ou consulta aos pais.

A companhia afirmou que a campanha tinha caráter educativo e visava divulgar recursos de segurança para adolescentes. Contudo, o formato das ações é claramente promocional. A Resolução 163 do Conanda prevê brindes, jogos e promoções como formas de comunicação mercadológica.

A legislação brasileira protege crianças e adolescentes. O Código de Defesa do Consumidor considera abusiva publicidade que se aproveita da inexperiência infantil. Mesmo para adolescentes, a publicidade deve respeitar sua condição de pessoa em desenvolvimento, o que torna questionável a abordagem direta na porta das escolas.

O episódio ganha relevância porque o Instagram pertence ao grupo de plataformas cobradas por seus impactos em jovens. As redes sociais são projetadas para aumentar o engajamento, utilizando notificações e algoritmos. O ECA Digital foi criado para ampliar a proteção desses ambientes.

A escola deve ser um espaço de formação crítica sobre o mundo digital. A presença de um estande de uma empresa que depende da atenção jovem na porta da instituição ultrapassa um limite que deve ser respeitado. A reação de uma escola que solicitou a retirada da ação foi considerada adequada.

Os  colégios Santa Cruz e Oswald de Andrade foram alguns dos que tiveram estande promocional da Meta.

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