MP pede inclusão de casal de pastores acusados de estupro na Interpol

MP pede inclusão de casal de pastores acusados de estupro na Interpol

Casal de pastores acusado do estupro de 6 meninas está foragido há mais de mês. Investigação aponta uso da religião para manipular vítimas

O Ministério Público de Roraima (MPRR) pediu a inclusão de um casal de pastores foragidos na lista de procurados da Interpol. Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, são investigados por crimes sexuais contra adolescentes em Roraima e têm mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, mas ainda não foram localizados.

As informações foram publicadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (27). De acordo com a reportagem, a solicitação à Interpol pretende ampliar as buscas pelo casal diante da possibilidade de que os investigados tenham deixado o Brasil.

Wenderson e Arielly mantinham uma igreja em Boa Vista e, segundo a Polícia Civil de Roraima, teriam utilizado a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas e exercer influência sobre elas.

A investigação apura crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. No caso de Wenderson, o indiciamento também abrange outras acusações relacionadas à exploração sexual de crianças e adolescentes e ao registro não autorizado de intimidade sexual.

O inquérito teve início em abril, depois que o responsável por uma adolescente de 14 anos procurou a polícia para denunciar o caso. A partir do primeiro relato, os investigadores identificaram outras possíveis vítimas e passaram a colher depoimentos.

Ao longo da apuração, seis adolescentes foram formalmente identificadas como vítimas. Elas tinham entre 12 e 17 anos. Segundo a Polícia Civil, outras cinco pessoas apresentaram indícios de terem vivido situações semelhantes, mas decidiram não prestar declarações.

A investigação aponta que a proximidade estabelecida dentro do ambiente religioso teria sido utilizada para criar relações de confiança com as adolescentes. A posição ocupada pelos suspeitos na igreja é considerada um dos elementos centrais para compreender a dinâmica dos crimes investigados.

Segundo a polícia, algumas vítimas teriam recebido dinheiro, transferências por Pix ou outras vantagens para permanecerem em silêncio. Os investigadores apuram se essas ofertas integravam uma estratégia para impedir ou dificultar denúncias.

A delegada responsável pelo caso classificou a apuração como complexa em razão do contexto no qual os crimes teriam ocorrido. Conforme a investigação, a confiança depositada pelas adolescentes nos líderes religiosos teria funcionado como instrumento de influência e controle.

A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois investigados, mas as buscas realizadas pela polícia em diferentes endereços não levaram à localização do casal. Wenderson e Arielly estão foragidos há mais de um mês.

Com a inclusão na base da Interpol, caso o pedido seja efetivado, autoridades estrangeiras poderão ser alertadas sobre os mandados de prisão expedidos no Brasil e colaborar para localizar e eventualmente deter os investigados fora do território nacional.

A Polícia Civil já havia informado em agosto que as buscas continuavam. A possibilidade de fuga internacional levou o Ministério Público a ampliar as medidas destinadas à localização dos suspeitos.

Outros crimes investigados

Wenderson Lima de Souza responde a um número maior de acusações. Segundo a investigação, ele foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de criança ou adolescente, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.

Arielly Kamila Moraes de Souza foi indiciada por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

A investigação também alcançou uma terceira pessoa, uma mulher de 20 anos. Ela é suspeita de ter destruído provas armazenadas no telefone celular de Wenderson e foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.

O inquérito já foi encaminhado à Justiça, enquanto o Ministério Público acompanha o andamento do caso. Paralelamente às medidas para localizar o casal, as autoridades continuam apurando a possibilidade de existência de outras vítimas. Com informações do BR247

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