A Justiça de São Paulo revogou a prisão de Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, réu por feminicídio, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), e que teria recebido R$ 12 milhões do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligada à produção de “Dark Horse”. O empresário deixou a cadeia em 10 de agosto, após decisão assinada quatro dias antes pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda.
Bispo dos Santos foi preso em dezembro depois de câmeras do condomínio registrarem uma agressão contra a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. Ela morreu após cair do 10º andar do prédio onde o casal vivia, em 29 de novembro. A investigação passou a tratar o caso como feminicídio, e ele se tornou réu em fevereiro.
Ao conceder a liberdade, o juiz proibiu o empresário de deixar a cidade por mais de oito dias e de mudar de endereço sem comunicação. Ele precisa comparecer à Justiça a cada dois meses, manter o telefone atualizado e não pode se aproximar das testemunhas a menos de 500 metros nem contatá-las por telefone ou aplicativos.
O Ministério Público atribui a Bispo dos Santos os apelidos de “Escorpião do PCC” e “Baianão”. A acusação de vínculo com a facção integra o conjunto de apurações que também alcança a atuação empresarial dele em contratos de conectividade na capital paulista.
Contrato de wi-fi e filme sobre Bolsonaro entram nas apurações
Antes da prisão, Bispo dos Santos era dono da Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para administrar pontos de internet em comunidades de São Paulo. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) contratou o ICB por R$ 108 milhões anuais para o programa de wi-fi, e o instituto subcontratou a empresa do empresário por R$ 12 milhões.
Karina da Gama preside o ICB e também é proprietária da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. As investigações examinam a circulação de recursos entre a estrutura de conectividade e a produção audiovisual, estimada em R$ 75 milhões, além de emendas parlamentares destinadas a empresas ligadas à empresária.
Após a prisão de Bispo dos Santos, a Favela Conectada mudou o nome para Urban Connect. O controle da empresa passou, na Junta Comercial, para uma moradora do mesmo endereço do empresário. Prestadores de serviço recorreram à Justiça e sustentaram que a companhia funcionava como estrutura de fachada para repasses de recursos.
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Civil de São Paulo compartilhe com a Polícia Federal, em até cinco dias, documentos e mídias recolhidos na Operação Wi-fi. A PF investiga o destino de emendas parlamentares enviadas a empresas de Karina da Gama. Sobre a soltura, o Tribunal de Justiça afirmou que magistrados têm independência funcional e que as partes podem usar os recursos previstos em lei quando discordarem de uma decisão. Com informações do DCM
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
