1-Divergências
As evidentes divergências na base do governo na Aleac, vão muito além do ar de contrariedade indisfarçável do 1º Secretário Nicolau Júnior (PP). Há uma rebelião no grupo. E quando a base se divide a oposição agradece. Foi nesta brecha que passou o requerimento do deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), que solicita uma audiência pública para debater a Máfia dos Consignados. O tema é de importância máxima porque envolve a exploração de trabalhadores com o possível envolvimento da máquina estatal. É preciso tirar a limpo. Afinal, segundo a denúncia, servidores temporários e cargos comissionados têm a matrícula alterada para servidor efetivo para poderem obter empréstimos consignados mediante o pagamento de pedágio que varia de 35 a 50% do valor total. Apesar de não haver indícios do envolvimento do governador Gladson Cameli (PP), se comprovado o esquema, o obrigará a tomar uma atitude. E matar no peito mais um revés. Evitar o desgaste. Talvez por isso a divisão da base. Evitar um possível escândalo. Pero que hay uma divisão, hay.
2-Rebelião
Momentos antes da votação, o líder do governo conversou com Edvaldo e informou que o requerimento seria votado e que iria encaminhar o voto contrário. O líder da oposição respondeu que iria debater e expor as razões por ser um tema prioritário. As paredes têm ouvidos. E olhos atentos observaram que quando foi iniciada a leitura do requerimento, Edvaldo Magalhães se deslocou para a Mesa para se inscrever para o debate. Pelo jeito ia jogar a M no ventilador. Com a categoria de sempre. Mas que ia, ia. Para surpresa do plenário, entre debates e buchichos à meia voz, o requerimento foi deferido. A população agradece. Entretanto, a aprovação do requerimento não garante a realização da audiência. Pode ter sido uma jogada esperta apenas para evitar mais exposição do fato. Nesse caso o esvaziamento espreita de dentro da gaveta. Afinal poucas sessões nos separam do recesso legislativo. Aguardemos.
3-Positivo
Os deputados estaduais se preparam para encerrar o ano legislativo com louvor. A Mesa Diretora pode comemorar o encerramento de um dos anos mais produtivos do Poder Legislativo Estadual. Com destaque para o empenho em solucionar os problemas e para a aproximação do poder com as diferentes regiões do estado. Todos tiveram voz. A qualidade dos parlamentares ficou bem acima da média. Sugiro aos que duvidam, o acompanhamento das sessões de outros estados. Infelizmente o mesmo não se pode dizer das fracas bancadas federal e municipal. O desempenho dos deputados estaduais pode resolver boa parte deste problema. Alguns deles por merecimento podem ocupar as cadeiras da Câmara dos Deputados em 2026. Entre eles, o presidente Luiz Gonzaga (PSDB), o vice-presidente Pedro Longo (PDT) e o líder da oposição, Edvaldo Magalhães. Não estranhem se o próximo governador sair também da Aleac. O primeiro-secretário Nicolau Júnior, pode vir a ser a grande surpresa nesse jogo. Anotem.
4-Precipitação
É no calor dos interesses que se cometem os deslizes. Por ocasião da divulgação da condenação do prefeito de Acrelândia, Olavo Francelino de Rezende (MDB), teve veículo que publicou “o famigerado Boiadeiro”, referindo-se ao apelido do prefeito. Boiadeiro havia sido condenado a três anos de prisão em regime aberto por receptação criminosa de gado em um processo que se arrastava desde 2014. A oposição ao prefeito se assanhou para cassar o mandato de Olavinho. Boiadeiro recorreu da decisão e reverteu. Foi inocentado pelos desembargadores do Acre. Sem querer entrar no mérito da questão se o prefeito se enrolou por boa fé ou não, a lição que fica é que em caso de acusações é temerário antecipar o julgamento. Isso vale para qualquer caso. Quem aponta o dedo antes do tempo pode ficar sem ele. Recentemente a candidata melhor avaliada na disputa pela prefeitura de Brasileia, Leila Galvão (MDB), passou por situação parecida. O nome dela foi exposto em manchetes que informavam que Leila teve dois veículos apreendidos que seriam leiloados para amortizar dívidas com a União, por contas reprovadas quando era prefeita. Leila Galvão foi uma boa prefeita e uma boa deputada. É de se questionar a quem interessa manchar seu nome.
5-Antissemitas
Para os judeus os sionistas são antissemitas. Segundo os judeus ortodoxos, as comunidades judaicas espalhadas pelo mundo não usam a bandeira de Israel. Quem usa são os sionistas. Grupo formado por pessoas que migraram principalmente do Leste Europeu e da Áustria para Israel. É este grupo que domina a política israelense. Eles se julgam a raça superior. Inclusive aos demais judeus. Exemplo disso é a maneira que tratam os judeus do Norte da África, Oriente, Ásia, Portugal e Espanha. Chamados de Misrahim, estes são inferiorizados pela cor, cultura, roupas e língua, mas principalmente, porque não migraram da Europa. São discriminados pelas autoridades sionistas que os tratam como incivilizados, bárbaros e atrasados. Foram incentivados a migrar para Israel para aumentar a população judaica na criação do Estado de Israel e assim formar maioria demográfica em relação à população de origem árabe. Foram usados para servir de barreira contra os árabes. Na “terra prometida”, a hierarquia social é assim formada: judeus Askhenazis (Europeus) membros da elite sionista. Mizrahim (judeus de outras partes e de Portugal e Espanha). Resto dos povos do mundo. Na terra prometida os Mizrahim foram usados como mão-de-obra barata dos sionistas. Suas mulheres foram esterilizadas contra a sua vontade para evitar que a população Misrahim aumentasse. Ou seja, não basta ser judeu. Para gozar do privilégio de ser judeu tem que ser branco e europeu. Mas não da Europa Latina.
6- Apoio
Com toda essa carga racista os sionistas ainda gozam de grande apoio da população majoritariamente mestiça do Brasil. Brasileiro, para os sionistas, está abaixo dos Mizrahim. Mas o Brasil é pródigo em esquisitices. Por aqui tem “nazipardos”. Mestiços que apoiam regime nazista. Um regime que despreza todos os que não são brancos puros. Arianos. É como a paixão da galinha pela raposa. Até a hora da morte. Olhos atentos, não confundam Extrema Direita com a Extrema Conveniência dos que se criaram nos governos da Frente popular e agora são anti PT desde criancinhas. Estão de olho tão somente na herança de votos de Bolsonaro. Pesquisem as origens e não caiam no Conto da Aia. Li em algum lugar uma definição precisa: “Brasil é um país onde Pobre acha que é Classe Média; a Classe Média acha que é Rica; Rico acha que é estadunidense e Evangélico acha que é Israelense”. Pois.
7-Absurdo absurdíssimo
Circula nas redes a informação que houve um pedido de parlamentares bolsonaristas para que o governo de Israel não libere os brasileiros que estão na Palestina para retornarem ao Brasil. O objetivo seria prejudicar o governo Lula. No dia 11 de outubro, um grupo de parlamentares bolsonarista se reuniu com o embaixador de Israel, Daniel Zonshine. Uma foto documentou o encontro. A dificuldade em aceitar que coloquem a vida de brasileiros em risco para comprometer a imagem do presidente ao qual se opõem se dilui quando se lembra daquela tentativa de explodir o aeroporto de Brasília. Vidas não importam. O certo é que todo dia o governo de Israel divulga a lista de pessoas autorizadas a deixar a Palestina e o brasileiros nunca entram na lista. O governo deveria investigar se isso procede, porque é evidente o boicote que Israel está fazendo aos brasileiros. Se comprovado o suposto pedido dos deputados brasileiros, estes deveriam perder os mandatos e serem presos. Em tempo, Lula, não perguntou a ideologia de ninguém para repatriar. Apoiadores de Bolsonrao foram repatriados de Israel. Alguns vestidos com a camiseta da seleção, uniforme de bolsonaristas. Ao desembarcarem no Brasil agradeceram a FAB, ao prefeito de Sorocaba… Olhos atentos, observai.
8-Surreal
Marcus Alexandre saiu do PT mas o PT não saiu dele. Prova disso é que os partidos da antiga Frente Popular do Acre (FPA), estão todos na órbita dele. Criado politicamente pelo PT, continua sendo “companheiro”. E nem dá para justificar que essa formação política é para se contrapor “ao que está aí”, porque o ex-presidente estadual do PT, Cesário Braga se esforça para ampliar a aliança contra o “que está aí”, com o “que está aí”. Ao observar os esforços de Cesário para juntar Marcus Alexandre (MDB) e Alysson Bestene (PP) (entenda-se Gladson Cameli), é impossível não lembrar o passado recente quando Cesário Braga criticava o posicionamento público do então vice-governador Wherles Rocha. O então presidente estadual do PT dizia que para denunciar corrupção no governo, Rocha tinha que se demitir. Entregar o cargo de vice. Tem gente defendendo que Cesário siga ele mesmo a orientação crítica que deu ao Major Rocha. Afinal, pau que dá em Chico deve dar também em Francisco. Outros se perguntam se o posicionamento de Cesário na época das críticas ao então vice-governador seria em defesa de Gladson. Seja como for, essa insistência só fortalece a impressão que Gladson Cameli (PP) é o maior nome político do Acre. Imaginem o palanque com Marcus Alexandre, Gladson Cameli, Edvaldo Magalhães, Flaviano Melo, Jorge Viana, Aldemir Lópes, Daniel Zen, etc…Todos de mãos dadas levantadas. E lá embaixo as militâncias confraternizando.
Bom dia, prefeito de Rio Branco Tião Bocalom (PP). Parece que essa arrumação toda aí acima tem uma tradução: todos contra Bocalom né? Poderoso hein?
Esta é uma coluna de opinião e reflexão
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