Fake news de Nikolas ajudou o PCC a lavar dinheiro na Faria Lima

Fake news de Nikolas ajudou o PCC a lavar dinheiro na Faria Lima

A mobilização do deputado Nikolas Ferreira (PL) contra a Instrução Normativa (IN) 2219/24, da Receita Federal sobre a fiscalização de transações digitais teve impacto direto no esquema do PCC que foi alvo de operações da Polícia Federal nesta quinta, 28.

A portaria da Receita Federal tinha por objetivo atualizar as regras para incluir as fintechs nas mesmas exigências que já se aplicavam aos bancos tradicionais. A medida determinava que movimentações financeiras superiores a R$ 5 mil, feitas por meio de Pix ou outros meios de pagamento como TED e cartões de débito, fossem informadas à Receita.

Mas Nikolas Ferreira publicou um vídeo mentindo que o ato normativo da Receita Federal permitiria a taxação do Pix e acusando o governo de tentar invadir o sigilo dos pequenos negócios.

Em vão a Receita Federal apontou que a falta de regulamentação adequada das fintechs permitiria que organizações criminosas utilizassem essas plataformas para ocultar o rastreamento de suas transações ilegais.

Rapidamente o vídeo mentiroso de Nikolas viralizou chegando a 200 milhões de visualizações. Com a repercussão negativa e a pressão digital a medida foi revogada.

Nesta quinta, o secretário da Receita Robinson Barreirinhas, confirmou que as fake news impediram o órgão de fiscalizar operações.  “Quem mais se beneficia pela falta de transparência das fintechs é o crime organizado”.

Ou seja, a onda de desinformação provocada pelo vídeo de Nikolas colaborou com a manutenção do esquema de lavagem de dinheiro que envolvia a facção criminosa PCC e fintechs.

Comprovação policial

A megaoperação da Polícia Federal desencadeada nesta nesta quinta-feira, 28, comprovou que o crime organizado se beneficiou da falta de regulamentação para lavar recursos ilegais por meio dessas instituições.

Segundo a PF, o grupo criminoso usava ao menos 40 fintechs e fundos de investimento da Avenida Faria Lima, em São Paulo, para lavagem de dinheiro. Essas fintechs não apenas lavavam dinheiro do crime organizado, como também recebiam depósitos em espécie de forma incomum para instituições de pagamento. O modelo de “conta-bolsão” (em que recursos de vários clientes são misturados) tornou praticamente impossível identificar individualmente a origem dos recursos.

Segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o PCC movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024 com o esquema. Uma das instituições funcionava como “banco paralelo”, explorando brechas na legislação para dificultar o rastreamento dos valores e criar camadas de ocultação.

A Receita identificou que pelo menos 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, foram controlados por operadores ligados ao PCC. As fintechs serviram como engrenagem financeira para a compra de usinas, transportadoras, postos de combustíveis e até imóveis de luxo, usados para blindar o patrimônio da facção.

Assista ao vídeo para saber quem financia Nikolas Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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