Como Mendonça foi possível?

Como Mendonça foi possível?

Em janeiro deste ano, pressões contra o ministro Dias Toffoli acabaram fazendo com que ele abrisse mão da relatoria do caso Master, que acabou entregue a André Mendonça.

Toffoli era acusado de ter estabelecido uma “guerra contra a PF” por ter determinado que as provas da investigação ficassem em posse da Procuradoria-Geral da República.

Pesou também, para a perda da relatoria, o fato de que um fundo ligado ao Master tivesse adquirido, no ano anterior, cotas de um empreendimento hoteleiro da família Toffoli.

Mendonça, porém, já mostrou, de saída, o que começaria a fazer a partir de 16 de dezembro de 2021, quando assumiu a cadeira no STF na condição de “10% de Jair Bolsonaro”. Sua primeira decisão foi alijar o comando da PF das investigações do caso Master.

O ministro “terrivelmente evangélico” nunca decepcionou (o bolsonarismo). TODAS as suas decisões e votos no Supremo, desde então, foram favoráveis ao seu patrono, Jair Bolsonaro, ou a aliados e parentes dele. T-O-D-A-S.

Mas nada jamais se comparou ao que ele passaria a fazer após ser incensado pela mídia, pelas direitas e, pasmem, por amplos setores da esquerda. Ele seria “isento e ponderado”, segundo a lenda.

O que se seguiu foi um fenômeno absolutamente inexplicável. A mídia, as direitas e a esquerda, sabe-se lá por que, ajudaram-no a acumular as relatorias dos casos Master e INSS e, depois, a relatoria dos casos Dark Horse e “Lulinha”.

Como deveria ser claro para qualquer um que entendesse minimamente de política e que não tivesse interesse nas manipulações terrivelmente revoltantes do ministro terrivelmente cara de pau, ele engavetou Master, INSS e Dark Horse e, desde então, desencadeou uma avalanche de vazamentos dos inquéritos vazios que instaurou contra o filho do presidente da República.

Como foi possível alguém tão comprometido com o pior governante que o Brasil já teve ser alçado à posição de controle das investigações mais importantes da República?

Ou melhor: como foi possível que TODOS se enganassem tanto sobre Mendonça e ignorassem apelos desesperados de uns poucos (como este que escreve) para abrirem os olhos?

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