Coluna da Angélica - O jogo político de Márcio Bittar

Coluna da Angélica – O jogo político de Márcio Bittar

– Vitória de Pirro

Socorro Néri ganhou mas não levou. Ao que parece não terá autonomia e nem o direito de levar além de dois ou três assessores. Os principais departamentos ficarão com o senador Márcio Bittar (MDB), que de acordo com o site Ac1Notícias, foi quem costurou a ida dela para a Secretaria de Educação. Márcio não dá ponto sem nó. Socorro pelo jeito será apenas mais um peão no jogo de Bittar que tem grandes pretensões. As andanças dele com o Secretário de Produção tem um objetivo certo. Márcio quer mais um mandato de governador. Um mandato de fato e de direito. Por enquanto é só de fato.

– Governador

Márcio Bittar tem uma estrutura quase tão grande quanto Gladson Cameli (PP). Domina o Deracre, Seinfra, Educação, Produção e postos-chave em outras secretarias menores. É tanto poder que dobrou até Flaviano Melo (MDB), a quem pretende substituir no comando do partido. Flaviano sabe disso. Ninguém no MDB desconhece isso. Aceitaram o jogo porque anteveem ganhos. Talvez o único que esteja dando o almoço de graça seja o governador Gladson Cameli. Os mais atentos avaliam que Márcio Bittar vai deixar Gladson sangrar até morrer e na última hora se apresenta como candidato ao governo. O jogo é bruto, mas a atenção e a crítica são cidadãs. Afinal, é nesse jogo se decidem as vidas de todos os que aqui vivem.

-Fora

O PSB que acolheu Socorro Néri como cinderela, vai mostrar-lhe a porta da rua como a uma gata borralheira. A decisão ainda não foi definitivamente tomada, mas a revolta interna contra ela é grande. É o PSD vivendo seu momento PSDB. Em 2016 ela também foi recebida com tapete vermelho para ser a candidata do PSDB à prefeitura. Deixou os tucanos sem chão ao compor com o principal adversário Marcus Alexandre (PT) de quem foi vice pelo PSB. Agora se prepara para ir para algum partido da órbita de Márcio Bittar. O PSB poderia ter se poupado do desgaste se tivesse levado em conta o velho conselho: “se quiser saber como é uma pessoa, preste atenção em seus atos e não nas suas palavras”. Afinal, dentro de cada fada madrinha pode se esconder uma bruxa má.

-Mistério

O grande mistério nessa história é o motivo pelo qual o governador Gladson Cameli tinha desistido do nome de Socorro Néri, depois de meses anunciando que ela comporia o governo. O “esquecimento” do governador teria deixado a ex-prefeita bem irritada. O post dela no Facebook pedindo para a deixarem de fora das insinuações, dizendo que não havia participado de conversas sobre a Secretaria de Educação, foi um claro recado para o governador e em livre tradução poderia significar- estou aqui observando tudo e meu nome não está entre os possíveis. Foi preciso o senador Márcio Bittar articular para que ela fosse conduzida à Secretaria.
Vai ser preciso aguardar a descoberta das peças que faltam nesse quebra-cabeças.

– Mais mistério

Mais de 15 dias depois de apresentado o requerimento para a instalação e a CPI da Educação ainda não foi publicada no Diário Oficial. A demora mexe com os nervos dos proponentes que temem novas investidas para impedir que seja instalada. O deputado Neném Almeida (Solidariedade), disse que não retira a assinatura. Mas já vimos esse filme cheio de reviravoltas, apesar do ônus ser muito alto por uma Cec 6 para a espôsa e promessas que nunca são cumpridas, afinal, bocado comido vira bocado esquecido. Mas Neném ficou tentado a se vender barato como produto de balaio em liquidação de loja popular. Ficou mesmo.

– Tiro no pé

Já em relação a Fagner Calegário (Podemos), a vingança seria acabar com as empresas terceirizadas que ele defende e que empregam 15 mil pessoas. Estrangular essas empresas, seria fazer esses 15 mil trabalhadores engrossarem a lista do desemprego e ter todos eles na próxima eleição fazendo campanha contra quem os forçou a perder os empregos. Por outro lado, joga o deputado Fagner Calegário de vez no colo da oposição com a certeza que a assinatura dele estará em todos os pedidos de CPI que vierem pela frente. Detalhe, a asfixia das terceirizadas atinge também os deputados da base do governo. É nelas que eles acomodam muitos dos seus eleitores. Um elefante numa loja de cristais faria menor estrago para o Executivo. O governo do estado não carece apenas de de projetos, tem urgência em encontrar alguém que pense.

-Falidas

As empresas da chamada massa falida do estado, consomem muito dinheiro público. Elas funcionam como um guarda-chuva que abriga de tudo. Colonacre, Acredata, Sanacre, Codisacre e Cila, mantém toda a estrutura funcional, com presidentes e diretores além de Cecs. Em todas, a única função conhecida é a assinatura da folha do ponto, o que não requer nem a presença diária nas empresas. A falta do que fazer permite que se exerça outra função também remunerada como chefe de gabinete de político e que o requisito para a contratação possa ser o parentesco. Às vezes currículo de comissário de bordo abre as portas do céu…pelo menos por um tempo.

– Escancarada

A porta do Podemos não está apenas aberta, está escancarada para a saída do deputado Fagner Calegário. Ney Amorim, o novo presidente do partido é muito ligado ao governador Gladson Cameli, a tal ponto que dizem ser ele o Osmir Lima de Gladson. Osmir foi o único que ficou ao lado de Orleir Cameli quando todos o abandonaram. Entre os dois não cabe um Calegário. Ney já deixou isso bem claro. Mal assumiu, cortou os cargos de liderança e começou a encher o partido com pessoas com maior densidade eleitoral que os atuais deputados. Não seria de estranhar se Chico Viga e Fagner Calegário buscassem outro partido para disputar as eleições em 2022. É uma questão de sobrevivência política.

-Segue o líder

A moda de dispensar licitação e fazer nomeações estranhas, inaugurada pelo governador se estendeu a alguns prefeitos do interior. No Jordão, o prefeito contratou os serviços de um protético por R$ 81 mil. Longe de mim julgar. Vai saber quantas denturas foram perdidas na enchente. Enquanto isso o laboratório de Cruzeiro do Sul, contratado para fazer os testes de covid e dengue no Jordão, 45 dias depois não conseguiu nem o aval da vigilância sanitária, quanto mais realizar os exames. Não é àtoa que o crescimento dos casos de covid está assustando tanto que a população pediu o socorro do deputado Jenilson Leite (PSB). Em tempo, a empresa local que foi desclassificada tinha apresentado um preço bem mais baixo. A investigação é do jornalista Leandro Mathaus. Já em Tarauacá, a prefeita desandou a nomear pessoas para as coordenadorias das escolas que estão sem aulas presenciais.

– Ramal do Gonzaga

O deputado Luiz Gonzaga (PSDB), luta pela trafegabilidade da BR 364 desde seu primeiro mandato estadual (1999). Mas a luta não se limita a denúncias e pedidos de providências na Assembleia Legislativa. Gonzaga vai em busca. Com a ameaça de fechamento que vai deixar todo o Vale Juruá isolado, tomou a frente e foi buscar socorro junto ao Deracre e DNIT. Meses atrás alertou para o problema e pediu o envolvimento de todos. Oxalá não o deixem sózinho nesta batalha como deixaram na tentativa de evitar a privatização da Eletrobrás-Acre.

– No limite

Muita propaganda, escassas verdades, nessa história da ponte. Quem não colocou um tijolo tenta assinar pela obra. Pela propaganda do governo entende-se que até a inauguração da ponte sobre o rio Madeira, os acreanos não seriam totalmente brasileiros. Diz a campanha: “A ponte é nossa. Agora somos mais brasileiros”. Associada a essa crise de identidade aparece a foto do governador sózinho em cima da ponte passando a mensagem subliminar que ele é o responsável pela obra.
Não fosse a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), a travessia em balsas perduraria por sabe Deus quanto tempo. E, não. A ponte não é nossa. É de Rondônia, embora o Acre seja mais beneficiado. Aliás, parece que o governador não perde a oportunidade de uma autopromoção pessoal.

Bom dia deputado Nicolau Júnior (PP). É verdade que tem duas empresas terceirizadas ligadas a vossa excelência? É reserva de mercado que chama? O povo quer saber né?

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