– Sabor do vento
Assisto de camarote ao namoro político do senador , (PSD), com o ex- senador Jorge Viana (PT). Jorge guindou Petecão à presidência da Assembleia Legislativa. Nos anos dourados do PT, Petecão sempre teve lugar de destaque. Quando os ventos começaram a mudar, aderiu ao “Fora PT” e votou favorável ao impeachment de Dilma Rousseff (PT). Em 2018, virou Gladson desde criancinha, contribuiu substancialmente para a vitória de Márcio Bittar (MDB) e consequente derrota de Jorge Viana. Enxotado por Gladson, parece buscar o caminho de volta.
-Memórias
Inesquecível a justificativa de voto favorável ao impeachment da presidenta Dilma, proferida por Petecão, na qual mencionou a situação política no Acre, governado pelo PT : ” O governo nos trata como verdadeiros adversários, inimigos. Somos vítimas de um governo truculento, perseguidor”. Nada como uma nova eleição para juntar perseguidos e perseguidores no mesmo balaio.
-Prato indigesto
A política não é para qualquer estômago. A aproximação de Gladson com Petecão se estreitou em 2014 quando o atual governador disputava a vaga do senado com a deputada Perpétua Almeida (PCdoB) e Tião Viana (PT) ia para a reeleição de governador. Perpétua tinha como principal bandeira os soldados da borracha. Foi então que entrou em cena o ex-comunista e neoGladista Luziel Carvalho, à época representante do Sindicato dos Soldados da Borracha, com um ex-seringueiro de Rondônia e destruiu Perpétua. Luziel encontrou e levou o velhinho que pediu para as pessoas não votarem em Perpétua. Nos bastidores do Congresso a história que permanece é que Petecão e Gladson articularam para que ele pudesse fazer o fatídico discurso na sessão solene. Em 2019, Gladson se elegeu governador e descartou Luziel e Petecão.
-Pródigos
Agora com Lula elegível, com possibilidade de vencer a eleição presidencial em 2022, as reaproximações são retomadas. Os ressentimentos são trancados numa caixa e a aparência de bom relacionamento esconde a desconfiança. Nesse meio, o menos esperto faz crochê com luvas de boxe enquanto apostam na falta de memória do eleitor. E segue o baile… entre cascas de banana e puxadas de tapete. Se o PT voltar ao poder, todos retornarão jurando amor eterno, afinal, alianças não significam amizade e política é a arte da conveniência.
-…de volta
O governador Gladson Cameli que brigou com o partido dele o Progressistas, para não apoiar a candidatura do partido, por exemplo, voltou 8 meses depois e foi recebido com tapete vermelho e alguns sorrisinhos de canto de boca. Gladson precisa do partido para disputar em 2022 e o partido precisa dele para tentar emplacar o que não conseguiu nos dois primeiros anos de governo e para tentar eleger um deputado federal. E não, o Progressistas não foi sempre a casa do governador, como ele gosta de dizer. Ele já foi do PFL, atual DEM e do PPS, atual Cidadania.
-Senado
Eleito senador em 2014 com o apoio de mais de 218 mil acreanos, Gladson Cameli tem no currículo o voto a favor do Teto dos Gastos Públicos. Gladson também votou a favor da Reforma Trabalhista e posicionou-se contra a cassação de Aécio Neves no conselho de ética do Senado.
-De olho
O político histórico do Acre, Tancremildo Maia, disse em um post que ao contrário do que pensam, o prefeito Tião Bocalom (PP), não é bobo e está ciente de onde partem as tentativas de tentar desestabilizar a administração dele. Tancremildo descreveu o modus operandi do que chama de Gabinete do Ódio e informou que deu na vista. Uma pessoa lança, meia hora depois outro posta um texto com palavras ligeiramente diferentes mas com o mesmo conteúdo e assim sucessivamente até inundar a rede social. De acordo com ele, todos sabem quem é maestro que dirige essa orquestra.
-Fuga
Dezenas de acreanos fugiram das medidas restritivas impostas no Acre durante os finais de semana. Caravanas de acreanos sairam de Rio Branco para se refugiar nas festas em Boca do Acre onde tudo funcionou normalmente. O que bares e restaurantes tiveram de prejuízo em Rio Branco, os comerciantes de Boca do Acre tiveram de lucro, incluindo hotéis e postos de combustíveis. O que prova que quando a mente é fechada nem medidas de força funcionam.
-Dia do índio
Segunda-feira (19) é o dia do índio. A data foi instituída no Brasil através de um decreto-lei em 1943, no governo Getúlio Vargas. O dia deveria servir para refletir e acabar com estereótipos e clichês que alimentam o preconceito tão presente na nossa sociedade, embora a maioria da população possua DNA indígena. Linguistas afirmam que o sobrenome Silva, o mais comum do Brasil, vem de silvícola, ou seja de origem indígena. Apesar disso a sociedade, mesmo a parte que tem Silva no sobrenome continua a fazer a distinção entre “nós” e “eles”, e o processo de exclusão é rotineiro. Na Bolívia, os aeroportos mais movimentados trazem orientações em dialetos indígenas lado a lado com o espanhol e o inglês.
-Realidade
A estimativa é que existam 300 povos indígenas no Brasil. Cada qual com suas especificidades, mas todos com problemas similares. O líder indígena Sabá Manchineri reclama que as decisões que impactam as vidas e o futuro deles são tomadas à revelia. Não têm o direito de dizer quem são e o que querem. A participação política indígena é incipiente. Até hoje o Brasil só elegeu dois deputados federais indígenas- Mário Juruna (PDT-MT) em 1982 e Joênia Wapichana (Rede- RR), eleita em 2018. No Acre onde a participação é maior temos prefeito, vice-prefeito e vereadores. Nenhum na capital. Antônio Apurinã (PCdoB) foi o segundo suplente de Marina Silva (à época no PT) no senado. Poderia ter colocado o Acre na vanguarda com o primeiro índio senador, mas não chegou a tomar posse. É atribuída a ele a frase: “Na selva há algumas cobrinhas, mas as do Congresso são bem mais venenosas”.
-Na hora
O governador de São Paulo, João Dória se esforça para aumentar seu capital político dentro do PSDB. Para isso ofereceu a presidência do partido no Rio de Janeiro para Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados que deve levar o prefeito Eduardo Paes de volta ao ninho. A articulação provocou a reação da deputada Mara Rocha: “Tô saindo na hora certa”. Mara Rocha não quis saber do candidato de Maia, Baleia Rossi (MDB) e votou em Arthur Lira (PP) para a presidência. No Acre o partido vive um momento delicado. A entrada da deputada Vanda Milani no ninho está enfrentando resistências. Nos bastidores fala-se que o principal opositor é o Correinha, atual presidente. Por ser deputada federal, a lógica é que Vanda assuma a presidência.
-Sincericídio
O governador Gladson Cameli disse que tem sim familiares nomeados no governo. Em vídeo que circula nos grupos de whatsapp, ele diz textualmente: “a minha familia é muito grande, é natural que me peçam cargos. Eu tenho primos que nomeei no governo que já estavam em governos passados e que eu tive que nomear, que me fizeram esses pedidos. E realmente, assim, parentes meus que me pediram e eu acabei nomeando e ficou essa crítica ao meu governo. Eu reconheço isso sim” (sic).
Bom dia, jornalista João Roberto Braña, o menestrel do principado de Sena Madureira, que ao se referir a possível aliança entre Jorge Viana e Petecão, disse:”políticos não costumam seguir quem caminha para o precipício”. Você vai contar quem está à beira do precipício ou teremos que esperar que despenque para saber?
