Coluna da Angélica- Bizarro: críticas só pegam em Bocalom, nenhuma pega no Gladson

Coluna da Angélica- Bizarro: críticas só pegam em Bocalom, nenhuma pega no Gladson

1- Ausência

Todos foram convidados. Nenhum compareceu. A ausência de toda a bancada federal do Acre na audiência pública Economia e Sociedade, realizada pela Assembleia Legislativa do Acre para discutir potencialidades e entraves para o desenvolvimento do Alto Acre mostra o “comprometimento” dos deputados federais e senadores do Acre com as questões regionais. Se fosse um comício não faltaria um. Depois quando se diz que os parlamentares estaduais dão de 20 X 0 nos federais, estes últimos fazem biquinho e dizem estar sendo atacados. Em tempo, esta coluna leva a sério a frase de Millor Fernandes: “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.  Quem quiser elogio busque outra praia porque esta mostra o lixo na areia. Ainda vem o Progressistas aventar a possibilidade de tirar da Câmara dos Deputados a única representante do Acre que nos salva da mediocridade. Todo apoio à resistência de Socorro Néri (PP) em disputar a prefeitura em 2024. Embora nem a melhor tenha justificado sua ausência o que foi feito apenas apelo deputado Roberto Duarte (Republicanos).

2-…que grita

Fato é que a bancada federal ficou feia na foto não apenas com os 72.180 habitantes do Alto Acre e seus 4 prefeitos, mas com toda a população do estado. A prefeita de Brasileia, Fernanda Hassem (sem partido) foi ovacionada pela plateia ao destacar a ausência dos deputados federais e senadores. Sete deputados federais e os três senadores não compareceram e nem se deram ao trabalho de justificar suas ausências. Nem responderam. O oitavo ausente,  Roberto Duarte, justificou. As regras de educação dizem que para todos os convites, é necessária uma resposta.  Mesmo que por e-mail. Parece que não é só compromisso que falta.

3- Registro

O governador do estado, Gladson Cameli (PP) também não compareceu, assim como ninguém do primeiro escalão do governo. No mínimo, uma falta de respeito com a população da Região. Seria fundamental participar das discussões sobre infraestrutura segurança na fronteira, dentre outras. A audiência pública foi considerada excelente. Tanto do ponto de vista dos que integraram a mesa, quanto da plateia.  Levantou pontos importantes. O economista Orlando  Sabino, um dos mais respeitados do Acre, fez um diagnóstico dos problemas e potencialidades da Região. Os produtores reclamaram da falta regularização fundiária que os impede de tomar empréstimo bancário para aumentar a produção.  Reclamação que confronta a propaganda do Iteracre que está regularizando até igrejas. A Região exporta  5 carretas com 20 toneladas de suínos por semana para o Peru. Tem capacidade de dobrar o volume mas esbarra no problema da falta de incentivo. Ficam em média 4 dias parados na fronteira por falta de agentes aduaneiros. Além disso os caminhões retornam sem carga. Vazios. Quando poderiam importar produtos do Peru. A ação das facções criminosas é outro grave problema que aflige a Região. Ou o governo do estado não tem nenhum planejamento para a Região, o que ficaria evidente se fossem para o debate ou não tem interesse nem em saber dos problemas. É a conclusão possível sobre a ausência do governador e do 1º escalão. Olhos atentos, observai.

4- Moral

Quem ficou bem, foram os deputados estaduais maciçamente presentes e ativos e a prefeita de Brasileia, Fernanda Hassem. Foi a Aleac que realizou e organizou a audiência pública; o presidente da Aleac, Luiz Gonzaga (PSDB) e o 1º Secretário Nicolau Júnior (PP) já haviam solicitado 20 vagas de agentes aduaneiros para o Acre no próximo concurso da Receita Federal. Já Fernanda Hassem mostrou seu potencial político. Parecia uma pop star. O povo não esconde que a ama. Se trabalhar direitinho uma candidatura a deputada federal tem tudo para ser eleita em 2026.

5- Perdido

Referindo-se a desocupação das áreas do estado que envolveram cerca de  duas mil pessoas, o governador Gladson Cameli (PP), apelou para o clichê “determinação judicial não se discute, se cumpre”. Omitiu o fato que quem provocou a justiça para a reintegração de posse foi o governo. E insistiu. Cameli também afirmou que seu juramento foi o de cumprir a Constituição Federal. Há controvérsias. O Art 6º do capítulo dos Direitos Sociais  da Constituição Federal estabelece o direito à moradia digna. Também não são exatamente “constitucionais” os indícios apontados pela Polícia Federal nos relatórios da Operação Ptolomeu. De acordo com o exposto pela PF, quase 1 bilhão de reais em dinheiro público teriam sido desviados. É tanto dinheiro que a gente não consegue nem imaginar. Para dar uma ideia, se fossem guardados  5 mil reais por dia desde o ano de 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil,  em 2023 essa “poupança” não chegaria a 1 bilhão. 5 mil reais por dia guardados em 523 anos resultariam em 954 milhões e 475 mil reais. Faça a conta. Capacidade de raciocínio temos. Máquina de calcular também.

6-Recado

O governador não engoliu as críticas de sua base de sustentação sobre a reintegração de posse. Afonso Fernandes (PL), Adailton Cruz (PSB), Pablo Bregense e Eduardo Ribeiro do PSD, se posicionaram a respeito. Ninguém da base ousou defender a ação. Ao site Contilnet, Gladson disse “estar mandando um recado”. Para bom entendedor cobras e lagartos estão previstos para os próximos capítulos. Na mesma matéria o governador disse que adversários políticos estão “fazendo politicagem em cima da desgraça dos outros”. Só não disse que foi o seu governo que provocou a situação. E ainda justificou que não pode consertar o mundo em 4 anos e meio. Ora, o Acre é o 16º estado do Brasil em área territorial e ocupa modestos 164 mil e 123 km² da área total do mundo que é de 510 milhões e 100 mil km². Muito fora do alcance de sua governança. Vai uma sandália da humildade aí? Além do mais, foi eleito para solucionar os problemas.

7- Diferenças

Impressiona como nada de ruim pega no governador Gladson Cameli e tudo pega no Tião Bocalom (PP). Até neste episódio da desocupação com aparato de guerra contra duas mil famílias, sobrou para o prefeito. Mesmo sendo área do estado e tendo sido o governo que pediu e insistiu na reintegração de posse, as críticas foram dirigidas a Bocalom. Gladson continua navegando na onda de aceitação popular. É como se Cameli tivesse o corpo fechado e Tião Bocalom fosse um imã para atrair coisas ruins. Até as que deveriam por lógica orbitar em torno do governador. Se o governo do Estado que teve 8,8 bilhões de reais para trabalhar em 2022 e tem toda a bancada federal do seu lado não construiu casas populares, como o prefeito, com  2,1 bilhões, o faria? Parece um caso claro de vitória do marketing sobre a lógica. Até porque Cameli está no segundo mandato. Bocalom no primeiro.

8-Mãe

Gladson Cameli age como uma “mãe” em alguns aspectos políticos. Permite que sua líder na Assembleia Legislativa declare estar aberta a conversas para compor uma chapa com o candidato do MDB que consiste no principal entrave a suas pretensões para a capital em 2024. Também permite que o presidente do partido da líder a quem entregou uma Secretaria de “porteira fechada” permaneça em silêncio, alimentando com o mutismo a possibilidade do PDT compor a chapa de Marcus Alexandre (MDB). Cameli também não interfere no caso de Tanízio Sá (MDB) ser um dos principais articuladores da candidatura medebista que se confronta com a do Progressistas de Gladson. Ou o governador é extremamente democrático neste caso específico ou pode ter algum interesse nua composição com Marcus Alexandre. Em política nada é impossível.

Bom dia, candidato a prefeito Marcus Alexandre. Vossa Excelência voltou com a estratégia de cada mergulho, um flash? Até fotinha cortando o cabelo é publicada…Valha.

Esta é uma coluna de opinião e reflexão

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Imagem- AC24horas

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