O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça suspendeu as medidas cautelares impostas ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do partido Progressista (PP-PI) no âmbito das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Com a decisão, segundo a coluna de Mônica Bergamo, o senador voltou a ser autorizado a manter contato com seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira, também investigado no processo. A restrição de comunicação entre os dois havia sido determinada anteriormente durante as apurações.
STF flexibiliza medidas cautelares
Além de restabelecer o contato entre os irmãos, André Mendonça revogou outras medidas cautelares aplicadas a Raimundo Nogueira. Entre elas, foi retirada a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica. O ministro entendeu que o monitoramento já não era mais necessário diante da atual fase da investigação. Apesar da flexibilização, Raimundo continua com o passaporte apreendido.
Nos meios jurídicos, a decisão foi interpretada como um possível movimento de redução das medidas mais severas adotadas contra pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação é que a manutenção dessas restrições poderia ser questionada na Segunda Turma do STF, responsável por analisar recursos apresentados pelas defesas dos investigados.
Aliados de Ciro Nogueira afirmam que as medidas anteriormente impostas eram desproporcionais. Segundo eles, tanto o senador quanto seu irmão vêm colaborando com as investigações desde o início.
Operação investiga suspeitas envolvendo o Banco Master
Em maio, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões em endereços ligados a Ciro Nogueira durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Entre as hipóteses apuradas pela PF está a de que o parlamentar teria recebido recursos repassados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que a operação busca atingir sua reputação.
As investigações também apontam para o suposto pagamento de despesas pessoais do parlamentar, incluindo viagens em aeronaves particulares.
Segundo documentos citados na investigação, Felipe Vorcaro teria participado de uma parceria relacionada a pagamentos mensais em favor do senador. Os valores teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente sido elevados para R$ 500 mil. Felipe Vorcaro chegou a ser preso temporariamente durante o avanço das apurações.
Negócios empresariais estão sob investigação
Outro eixo da investigação envolve a atuação de Raimundo Nogueira na administração da empresa CNLF, da qual Ciro Nogueira é sócio. De acordo com os investigadores, a empresa adquiriu por R$ 1 milhão uma participação societária em uma companhia ligada a Daniel Vorcaro que teria valor estimado em aproximadamente R$ 13 milhões. Quando a operação foi deflagrada, a defesa do senador afirmou repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
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