Coluna da Angélica- Situação tratora Oposição

Coluna da Angélica- Situação tratora Oposição

-Sem sucesso

Os deputados Edvaldo Magalhães (PCdoB), Daniel Zen (PT) e Roberto Duarte (MDB), foram guerreiros. Enfrentaram sozinhos a máquina do governo. Nessa guerra, não são os argumentos que valem. Se fossem, o Auxílio do Bem poderia fazer jus ao nome. Teria sido aumentado para no mínimo 300 reais e derrubado as “cláusulas de barreira”, impostas pelo Executivo, que excluem a maioria da população. No levantamento do deputado Edvaldo Magalhães existem no Acre 138.165 famílias registradas no CadÚnico da pobreza e outras 96.123 no Bolsa Família. Nenhuma delas poderá receber o auxílio estadual. O que levou o parlamentar a dizer que apesar do nome, Auxílio do Bem, é um programa perverso.

– Três contra o mundo

Os três deputados apresentaram emendas modificativas, gastaram saliva e voz, mas nada sensibilizou a base do governo majoritária também nas Comissões. Pelos critérios de exclusão o benefício de três parcelas mensais de 150 reais não vai atingir nem 8 mil pessoas. A pergunta na Assembleia Legislativa era sobre o que vão fazer com o resto. O deputado Roberto Duarte disse que o governo vive sob suspeita: “vão jogar R$ 300 milhões em uma obra. Quem serão os beneficiados? A República de Manaus e não a as empresas do Acre. Não tem dinheiro para colocar comida na mesa das pessoas? Eu mostro onde está o dinheiro”.

– Não bate

As contas não batem, garantem os deputados. A previsão é usar R$ 9,5 milhões no Auxílio do Bem para 18 mil pessoas durante três meses (150/mês), mas até agora no município de Xapuri apenas 4 famílias atendem aos critérios de participação e 24 em Sena Madureira. A média em todo o estado é esta, mas a empresa que ganhou a licitação vai receber de qualquer maneira, porque o contrato foi feito via Seplag e Secretaria de Assistência Social, garantem. Aliás, outro ponto estranho nessa história é o fato da licitação e homologação para gerir os R$ 9,5 milhões ter sido feito antes mesmo do projeto ter sido enviado para o Legislativo.

– Fome

Analisando o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), o deputado Daniel Zen. descobriu que o governo tem em caixa R$ 181 milhões de saldo líquido. Dinheiro suficiente para pagar 6 parcelas de R$ 600 ou 13 parcelas de R$ 300,00 para 50.000 famílias acreanas: “mesmo com essa sobra de quase R$ 200 milhões de recursos em caixa, o governo deixou o povo passar fome, na maior crise humanitária da história”.

-…da empresa

Ao fazer as contas sobre o montante de R$ 9,5 milhões, devidos em parcelas de 150 reais, mesmo que atinja as 18 mil famílias previstas, Daniel Zen chegou ao resultado de R$ 8 milhões e 100 reais. Sobraria portanto, R$ 1.400.00,00 para remunerar a administradora do cartão magnético. O que é muito cruel. Pagar R$ 1,4 milhão para a empresa enquanto dá 150 reais para uma família na extrema miséria sobreviver durante um mês. “Parece que a verdadeira intenção é beneficiar a empresa de cartões magnéticos e não ajudar o povo”, disse Zen.

– Panfletos

As tentativas de sensibilizar os deputados da base a aumentar o valor e derrubar os critérios de exclusão, foram do trágico ao cômico. Duarte apelou para a sensibilidade religiosa do deputado evangélico Antônio Pedro (DEM), lembrando-o do aumento do número de pedintes nas ruas das cidades. Balançou, mas não derrubou. Antonio Pedro reconheceu a necessidade, mas respondeu que votaria com o relator e contra as emendas modificativas. Duarte mudou o tom e ameaçou mandar fazer 10 mil panfletos com os nomes dos deputados que votaram contra os pobres: “vou fazer panfletos e vou espalhar lá na sua cidade Xapuri. Quero ver pedir voto em 2022. São eles que o elegem, não o governo”.

-Definido
O presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Chico Viga (Podemos), se manteve desde o início sem nem balançar com os argumentos. Votou de acordo com as ordens do palácio. Pendurado em um processo na Justiça Eleitoral, Viga se segura na decisão da CCJ que mantém o processo suspenso enquanto ele permanecer no mandato. Não há almoço grátis já diz a frase popularizada pelo economista Milton Friedman. A Assembleia Legislativa já contabilizou duas baixas no plenário neste mandato por decisão da Justiça Eleitoral. Chico vai ser o mais fiel dos fiéis.

– Munição

A cada nova denúncia ou manifestação do vice-governador Major Rocha (PSL), o governador contra-ataca com exonerações. Depois de tirar a segurança pessoal de Rocha, Gladson esvaziou o gabinete do vice, de onde demitiu até a pessoa da portaria. O vice-governador vai ter que despachar de casa. Essa guerra de armas diferentes só terá fim quando acabar a munição de um ou outro lado. O governador tem a caneta. O vice tem a voz. O estoque de munição definirá a vitória.

-Bate no teto

Se a intenção era obrigar o vice se calar, o tiro saiu pela culatra. Quanto mais o governador insiste nessa linha, mais alimenta a ira do vice. Pode exonerar todo o pessoal do Rocha, mas não pode demiti-lo. Ele foi eleito tanto quanto o governador. Por isso a campanha para que Rocha renuncie, o que arrisco dizer- não acontecerá. A história é batida, mata-se o mensageiro quando a notícia não agrada. Pena a situação ter chegado a esse ponto sem volta. Muita gente, inclusive esta humilde colunista alertou para isso. É tanta confusão que já nem se sabe como começou. Muito menos como vai terminar.

– Comigo, não

A ex-prefeita Socorro Néri (PSB) não é boba. Quem tem o sangue de Manoel Machado correndo nas veias não pode ser menosprezada. De maneira mais diplomática que o tio, parece ter dado um recado público ao governador Gladson Cameli. Socorro pediu que parem de especular sobre a ida dela para a Secretaria de Estado de Educação. Disse que não está participando de discussões sobre e conclui dizendo que deseja boa sorte ao governador e sua equipe. Para bom entendedor, pingo é parágrafo.

– Correta

Está corretíssima a ex-prefeita. Ela tem uma carreira na Universidade Federal do Acre e conseguiu passar pela prefeitura sem deixar nódoas. Assumir uma Secretaria afundada em escândalos e suspeitas de corrupção para acabar tendo que responder por isso não é atrativo para ninguém, muito menos para quem tem um nome a zelar e pretensões políticas. Quem assumir a Secretaria de Educação o fará sabendo que cairá direto no olho do furacão e acabar tendo que responder por crimes que não cometeu. Não é um presente, é uma vingança.

-Vizinho

No vizinho Peru, destino preferido de 11 em cada 10 acreanos, o 2º turno da eleição presidencial deverá ser disputado por um sindicalista e a filha do ditador Alberto Fujimori, que está preso. Entre os candidatos que disputaram o 1º turno estava o caricato milionário Rafael Aliaga, beneficiário do monopólio dos trens para Machu Pichu. Um solteiro, 60 anos ligado a Opus Dei, casto desde os 19, que se flagela diariamente para se manter casto e diz que é apaixonado pela Virgem Maria. Pelo jeito o sangue Inca falou mais alto. Pelo menos em relação a Aliaga.

Bom dia deputado Edvaldo Magalhães, como se cataloga a sua frase sobre a mudança política… novos ventos? Em comentário ou profecia?

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